Acidente com ônibus gera complicação
Maigue Gueths
Há mais de um mês o assessor de marketing Plínio Paladino Junior está correndo atrás de oficinas mecânicas e advogados, além de cobrar responsabilidades da Companhia de Urbanismo de Curitiba (Urbs) para tentar receber R$ 1.400,00, valor referente ao conserto do seu carro, que foi atingido por um ônibus no dia 10 de maio. Estou brigando para receber o que vou pagar pelo conserto, mas mais importante é alertar a população para o comportamento das empresas, que mesmo após assumir a culpa não querem pagar, diz ele.
Paladino fala de algo que conhece. Há três anos sua mãe, a dona de casa Marlene Sílio Paladino, passou pela mesma situação. A diferença é que ela, na época, preferiu pagar o conserto, sem insistir com a empresa pelo pagamento. Marlene teve a causa ganha no julgamento do Detran, mas a empresa, cujo nome ela não se recorda, negou-se a cobrir o prejuízo. Eu fiquei com medo que tudo acabasse sendo muito dispendioso, conta.
Paladino explica que o motorista e a empresa assumiram a culpa desde o início. O ônibus bateu na traseira de seu Versailles, ano 94, na esquina das ruas XV de Novembro e Dr. Faivre. A empresa pediu três orçamentos. Mandei fazer e entreguei. Quando fui cobrar uma resposta eles disseram que não pagariam porque o preço estava muito alto. O gerente de tráfego da empresa Auto Viação Nossa Senhora da Luz, Jaime Fiamoncini, confirma a versão. A empresa assumiu a culpabilidade do ônibus, o problema é o valor do orçamento, diz. Para brigar pelos seus direitos, Paladino enviou uma carta à Câmara Municipal pedindo para que intervenha junto à Urbs, para verificar o contrato das empresas. Caso não dê resultado e a companhia não pague, ele entrará com ação no Tribunal de Pequenas Causas.
Na Justiça-Segundo Fiamoncini, a empresa costuma pagar os consertos quando têm culpa nos acidentes. É um direito do cidadão. Se ele estiver certo nós pagamos, se houve dúvida vamos aos tribunais, diz. Quando a empresa tem culpa, ela pede ao motorista que faça três orçamentos do conserto, sendo um em uma oficina considerada de confiança.
A Auto Viação Redentor tem o mesmo procedimento. Segundo Josué Gervásio Vaz, responsável pelos acidentes de trânsito sem vítima, se a empresa está errada ela aciona o seguro, se está errada vai cobrar da outra parte. Ele calcula que cerca de 50% dos acidentes envolvendo veículos da empresa são de sua responsabilidade. A Redentor opera com 223 ônibus nas ruas e registrou em 98 uma média de um acidente por dia. A Nossa Senhora da Luz, que tem 120 ônibus, calcula uma média de três acidentes (contando apenas os maiores) por mês.
O caso de Paladino está longe de ser único. O Batalhão de Polícia de Trânsito (BPTran) tem registrado, de janeiro a abril deste ano, 341 acidentes envolvendo veículos de transporte coletivo de Curitiba, o que representa uma média mensal de 85 casos. É um índice muito grande se considerarmos que 60% das vias de ônibus são exclusivas para eles, diz o sargento Moisés José Duarte, do BPTran. Segundo ele, todos os acidentes com ônibus estão computados nestes números, já que as empresas necessitam do Boletim de Ocorrência para acionar a companhia de seguro.
O Tribunal de Pequenas Causas, por sua vez, não tem controle sobre o número de ações existentes no órgão contra as empresas de transporte coletivo.





