Acidente com morte gera protesto
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segunda-feira, 21 de abril de 1997
Lúcio Horta 
Josoé de CarvalhoMorte e protestoMoradores fecham a avenida Curitiba, que dá acesso a várias cidades da região: melhorias poderiam evitar novas tragédiasOs moradores do conjunto Violin, zona norte de Londrina, organizaram ontem um protesto para condenar as péssimas condições da avenida Curitiba, que dá acesso ao bairro. Eles fecharam a rua em vários pontos e colocaram fogo em pedaços de árvores e pneus. O asfalto no local está cheio de buracos, ondulações, e à noite a iluminação é precária. Os acidentes já são considerados de rotina.
A gota dágua para os moradores foi a morte, no último sábado, do motociclista José Soares de Oliveira, 43 anos. Há quase duas semanas ele passava pelo local à noite, não viu um buraco e perdeu o controle da motocicleta, caindo alguns metros adiante. Socorrido pelo Serviço Integrado de Atendimento ao Trauma e Emergências (Siate), ficou oito dias internado em coma no Hospital Evangélico, mas não resistiu aos ferimentos. Soares era casado e tinha três filhos.
Nós vamos mover uma ação contra a Prefeitura. Isso não poderia ter acontecido, afirmou ontem o irmão da vítima, Nivaldo dos Santos. Além do irmão, mulher e filhos da vítima também acompanhavam o protesto bastante emocionados. No lugar onde a motocicleta bateu, no meio da rua, foi colocada uma cruz de madeira.
O rapaz era muito colega nosso e o povo ficou revoltado, dizia o morador Mário Quintiliano de Oliveira. Ele lembra que a avenida dá acesso à cidade de Sertanópolis, entre outras, e constantemente a pessoa se perde no local e acaba se acidentando, em função das péssimas condições do asfalto. Isso aqui está uma vergonha, toda semana acontece acidente, diz Oliveira. E a gente já reclamou a semana inteira na prefeitura e ninguém apareceu por aqui.
Amanhã cedinho vamos continuar o protesto. Enquanto alguém não tomar uma providência, a rua vai permanecer fechada, avisava o presidente da Associação de Moradores do conjunto, José Mário de Oliveira, conhecido como Profeta. A gente quer a duplicação e a iluminação dessa avenida.
O motociclista Ismael Maurício não mora no bairro mas parou para dar apoio ao protesto. Ele trabalha na região, passa quase todo dia no local e sofreu na pele as más condições do asfalto: depois de passar pelo mesmo local onde José Soares caiu, também perdeu o controle da moto e foi parar no chão. Desta vez, sem maiores gravidades. Isso precisa ser melhorado, avaliou, mostrando a lataria da moto avariada depois da queda.
Os moradores do Violin lembravam também que existem muitas crianças no bairro, que costumam brincar pelas ruas. Por isso, eles acreditam, se as condições do asfalto, de sinalização e de iluminação não melhorarem, é possível que uma nova tragédia volte a acontecer.
A Folha tentou falar com o secretário de Obras do Município, José Righi de Oliveira, para comentar o assunto, mas ele não foi localizado.


