Acidente com mercúrio gera polêmica entre médicos do HE
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quarta-feira, 14 de junho de 2000
Lino Ramos De Londrina 
A nota de esclarecimento do Hospital Evangélico (HE) sobre o incidente com Maria Jeir da Rocha, contaminada por mercúrio no interior do hospital, causou mal estar em parte do corpo clínico da instituição. A denúncia tramita em segredo de Justiça na 3ª Vara Cível de Londrina e o fato se tornou público com a manifestação dos familiares da vítima. Maria foi contaminada pelo mercúrio de um equipamento para controlar a pressão arterial, chamado manômetro de mercúrio.
Indignado com os acontecimentos, o chefe do serviço de cardiologia do HE, Ricardo Resende, cobrou um posicionamento do diretor-clínico do hospital, Jorge Pereira Cardoso. Não estou vendo o diretor-clínico sair em defesa dos médicos e acho que a maneira como a direção administrativa se manifestou não é a correta. Como é que a direção se manifesta se o juiz ainda não o fez?
Segundo Resende, a Comissão de Ética do HE emitiu um parecer excluindo os médicos de qualquer ligação com o acidente, ocorrido entre o 3º e o 4º dia de pós-operátorio. Esse parecer foi entregue para o diretor-clínico e a própria administração tem consciência desse parecer, que exclui os médicos de qualquer ligação com o acidente. Segundo ele, o parecer afirma que o equipamento para medir a pressão arterial é manuseado pela equipe de enfermagem.
O presidente da Comissão de Ética do HE, Carlos Alberto de Almeida Boer, disse que a manifestação sobre o parecer deveria ser do médico Reinaldo Loyola, que presidia a comissão e conduziu a sindicância na época em que Maria Jeir da Rocha foi contaminada com mercúrio (julho de 98). Mas ele confirmou que a sindicância interna excluiu os médicos da ocorrência do acidente. Segundo ele, a posição oficial da Comissão de Ética foi acatada pela direção do hospital e o Conselho Regional de Medicina também está analisando o caso.
O diretor-clínico do Evangélico, Jorge Pereira Cardoso, disse que não havia se manifestado porque o processo estava em segredo de Justiça, mas após a carreata o assunto se tornou público. Segundo ele, depois de assumir o cargo enviou o assunto para a Comissão de Ética e foi informado que o manuseio do aparelho era atribuição da enfermagem. Encaminhei o assunto para o Conselho Regional de Medicina e ainda não tenho resposta.
Cardoso disse entender que a imprensa não é o fórum para essa discussão e acredita que o médico Ricardo Resende interpretou errado a nota do HE. Isso ocorre numa exaltação de ânimos. Quando passar esse pico de nervosismo ele vai ver que tomou uma atitude errada procurando a imprensa, concluiu.


