A venda de fogos de artifícos aumentam em quase 10 vezes nesta época do ano, segundo comerciantes, e com ela, nas mesmas proporções, o índice de acidentes provocados por queimaduras. Os hospitais, em especial o Evangélico, único a ter um centro especializado no tratamento de queimados em Curitiba, tendem a ficar lotados de vítimas, algumas delas com membros decepados pelas explosões.
Segundo o cirurgião plástico José Luiz Takaki, do Seviço de Cirurgia Plástica e Queimados do Hospital Evangélico, o atendimento no setor fica congestionado. Responsável pelo setor de ambulatório, Takaki afirma que dobra o número de funcionários para conseguir atender os feridos. Somente na virada de 1997 para este ano, segundo ele, foram atendidas 130 pessoas.
O médico Ricardo César Accioly Pinto, diretor clínico do Sistema Integrado de Atendimento do Trauma e Emergências (Siate), afirma que os acidentes aumentam em grandes proporções. ‘‘Passam-se meses sem nenhuma vítima. Nesta época, chegamos a atender 10 casos por dia’’, revela.
Os feridos, porém, são em número bem maior. Accioly diz que a maioria dos casos (90%) tem pouca gravidade e não é atendida pelo Siate. ‘‘As vítimas vão direto aos hospitais’’, afirma. As queimaduras, segundo ele, vão desde casos leves nas mãos a amputações de dedos, lesões graves em artérias e veias, no rosto e olhos.
Para o comerciante Moisés Lanza Lopes, um dos donos da Fogos Lanza, a maior parte dos acidentes é causada pelo mau uso dos fogos. ‘‘As pessoas começam a soltar de forma correta, mas depois acabam subestimando os fogos’’, acredita.
Lopes afirma que, para soltar os foguetes, a pessoa deve estar sóbria, o que, geralmente, não acontece. O produto é mais usado em festas de finais de ano, São João e finais de campeonatos de futebol, quando os usuários costumam ingerir grande quantidade de bebidas alcoólicas. ‘‘Se a pessoa seguir as instruções da caixa, acredito que seja quase impossível alguém se machucar com um foguete’’, diz.
O cirugião Takaki não concorda. Segundo ele, a maioria dos acidentes é causada pela má qualidade dos fogos. ‘‘Esse é o grande problema. Os importados chegaram no Brasil a preços bem baratos exatamente por causa da falta de segurança’’, afirma. Takaki diz que ‘‘não adianta tentar se proteger colocando um foguete sobre o outro’’, como recomendam os fabricantes. ‘‘As bombas explodem antes de sair do cano.’’
Apesar do aumento de consumo, segundo o delegado Carlos Alberto Moreno, da Delegacia de Explosivos, Armas e Munições, a fiscalização da Polícia Civil não é intensificada. ‘‘A fiscalização é normal’’, disse ele, recusando-se a dar entrevista.

Recomendações para
soltar os fogos

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