Acidente com caneta acaba em morte
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terça-feira, 27 de maio de 1997
Marcos Zanatta, de Maringá 
Marcos Negrini
Marcos Negrini
FatalidadeFlávia: bolada no rosto no momento em que tinha uma caneta na boca, na escola
Dirce Maia, em Maringá, que ficou fechada ontem. Mais de 10 horas de espera na rede de saúdeA Polícia Civil de Maringá abriu inquérito para apurar a morte da estudante Flávia Aparecida Schiavone da Silva, 13 anos, anteontem, no Núcleo Integrado de Saúde 3, no Jardim Alvorada. A família de Flávia alega que a morte foi causada por falta de atendimento médico adequado.
O incidente ocorreu por volta das 8 horas, quando ela fazia aula de educação física na Escola Estadual Dirce de Aguiar Maia, na Vila Santa Isabel. Ela colocou uma caneta na boca para arrumar o cabelo, quando recebeu uma bolada no rosto.
A caneta perfurou a garganta dela. Flávia caiu, teve convulsões e desmaiou. Os professores da escola fizeram o primeiro atendimento e levaram a estudante ao posto de saúde do Mandacaru, o mais próximo do bairro. Do posto, ela foi encaminhada para o Pronto Atendimento da Zona Sul.
A avó de Flávia, Nair Rodrigues da Silva, disse ontem que acompanhou a neta a partir das 9 horas, cerca de uma hora depois do acidente na escola. Segundo ela, Flávia ficou até as 19 horas sem atendimento, recebendo apenas soro. Durante todo o tempo em que ela ficou no posto (cerca de 10 horas), apenas um médico entrou no quarto, contou Nair.
Ela disse também que perguntava para todos o que a neta tinha, mas ninguém respondia. Cheguei a pedir para um médico que passava olhasse minha neta, mas ele disse que não era da área.
Por volta das 19 horas, Flávia foi transferida para o Núcleo Integrado de Saúde 3, que faz o atendimento 24 horas, no Jardim Alvorada. Segundo Nair, a transferência foi feita apenas porque o pronto-atendimento estava encerrando o expediente.
No núcleo (NIS3), ela também não recebeu nenhum atendimento médico, e só quando começou a ficar pior foi levada para outro quarto, mas acho que já estava morta, disse.
O tio de Flávia, José Roberto Silva, contou também que ela foi transferida de quarto no pronto-atendimento para um raio-X. Só depois que estava no outro quarto descobriram que o aparelho estava quebrado, reclama.
Ele disse que o laudo médico aponta insuficiência respiratória como causa da morte. Ela teve a garganta perfurada mas caiu de cabeça, e sem um laudo do IML não poderemos fazer mais nada para provar a falta de atendimento, lamentou.
Uma equipe da polícia está ouvindo professores da escola no inquérito aberto para investigar o caso. A família também será ouvida. O secretário de Saúde de Maringá, Ivan Murad, afirmou ontem que Flávia recebeu os primeiros socorros, mas que era preciso confirmação da Central de Leitos para conseguir uma internação. Murad disse que Flávia foi inclusive acompanhada por um pediatra, e que não acredita na omissão de socorro. A Escola Dirce Maia permaneceu fechada ontem.


