Curitiba - Um menino de 4 anos e uma menina de 3 ficaram gravemente feridos depois de um acidente, em casa, com álcool, no último sábado, em Ponta Grossa. Os dois foram internados no Hospital Bom Jesus, com queimaduras de terceiro grau da cintura para cima. Ontem, eles tiveram alta da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e estão internados no setor de pediatria. Apesar do quadro clínico estável, o estado de saúde das crianças ainda é grave. Elas aguardam vaga para serem transferidas ao Hospital Evangélico, em Curitiba, que é referência no tratamento de queimados.
Ao todo, seis crianças estavam ao redor de um fogão à lenha, assando milho. O acidente aconteceu quando uma das crianças, de 11 anos, assustou-se ao ver que a garrafa de álcool que usavam para aumentar a chama se incendiou. Ela empurrou o vasilhame na direção dos primos que estavam próximos do fogão.
A venda de álcool líquido em supermercados havia sido proibida, em 2002, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), justamente, por causa do grande número de acidentes caseiros envolvendo o produto. Durante algum tempo, só era encontrado o álcool gel nas prateleiras. Os fabricantes, no entanto, conseguiram na Justiça o direito de voltar a comercializar o produto na forma líquida.
Segundo dados da Organização Não-Governamental (Ong) Criança Segura, acidentes envolvendo queimaduras matam cerca de 500 crianças brasileiras por ano e deixam outras milhares com sequelas permanentes. A maioria dos casos ocorre na cozinha, onde crianças brincam nos horários de preparo dos alimentos. A Sociedade Brasileira de Queimados (SBQ) estima que, anualmente, 45 mil crianças são vítimas de queimaduras por causa do álcool líquido.
Está em tramitação na Câmara Federal, o projeto de lei 4664/04, do deputado Antônio Cambraia (PSDB-CE), que proíbe a venda de álcool líquido no País. Consta do projeto que, ao todo, cerca de 150 mil pessoas por ano seriam vítimas de queimaduras provocadas por acidentes com álcool. O argumento do deputado no projeto é que, enquanto a venda ficou proibida, o número de acidentes reduziu 60%.

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