Michele Muller
De Curitiba
Um garoto de 12 anos estava brincando com uma arma em Fazendo Rio Grande, na Região Metropolitana de Curitiba, quando acertou um tiro no rosto de JCA, sua prima, de 9 anos. O incidente aconteceu por volta das 22h30, na última quinta-feira, na casa dos pais da vítima.
Em depoimento na delegacia do município, o pai da menina, Ailton Alves de Assis, contou que a arma foi guardada na parte de cima de um armário por sua mulher, Cleide Aparecida dos Santos de Assis. Ela teria levado o revólver para casa como favor a uma frequentadora do bar de sua família, que pediu-lhe para cuidar do objeto por alguns dias.
Ailton disse à polícia que seu sobrinho, conhecido como Júnior, viu a tia sair do bar segurando uma arma, e horas mais tarde saiu em busca do esconderijo. O pai da menor acredita que o tiro foi um acidente, já que as crianças não estavam brigando.
A menina foi levada ao Hospital dos Trabalhadores, em Curitiba, e está fora de perigo, segundo diretora-geral do hospital, Marelise Brandão. O projétil atingiu a região próxima à boca. Sem chegar a atravessar a mandíbula, percorreu a extensão do osso e acabou alojado na nuca, perto da orelha.
Ela vai ficar em observação nos próximos dias até seu rosto desinchar, quando poderá se submeter à operação para a extração da bala. O único risco que a vítima corre por enquanto, de acordo com Marelise, é de desenvolver problemas respiratórios caso o inchaço continue.
Cleide Aparecida contou à reportagem da Folha que nunca havia guardado armas em casa. ‘‘Fui uma idiota por ter concordado cuidar do revólver’’, desabafa. Ela disse que jamais imaginou que o garoto fosse encontrar o objeto. ‘‘Eu tive o cuidado de colocar debaixo de várias roupas, na parte mais alta do armário. Só não retirei as balas porque tive medo’’.
O delegado José Carlos de Oliveira, responsável pelo inquérito, diz que Cleide pode pegar até dois anos de prisão por ter escondido o revólver em local de fácil acesso de crianças.
Em três meses, esse é o segundo caso de acidente com armas envolvendo menores registrado em Fazenda Rio Grande. O anterior ocorreu em dezembro, quando um menino de onze anos, numa brincadeira, acabou atirando em outro de oito. A vítima faleceu oito dias após o acidente.