Destroços do Boeing 737-800 da Gol, desaparecido desde a tarde de sexta-feira, foram localizados na manhã de ontem no norte de Mato Grosso, na região de Peixoto Azevedo, por militares de Aeronáutica. Até ontem à tarde, havia informações controvertidas sobre possíveis sobreviventes e seriam iniciadas as buscas por terra. A Gol teria admitido a possibilidade de encontrar sobreviventes, segundo informou a rádio CBN. O secretário de Sáude do município de Peixoto Azevedo (MT), Gilberto Cavalheiro, também confirmou que recebeu comunicado na manhã de sábado das equipes da Força Aérea Brasileira (FAB) de que haveria sobreviventes. Cavalheiro foi acionado para que pudesse mobilizar hospitais na região.
Já o presidente da Infraero (estatal que administra aeroportos), brigadeiro José Carlos Pereira, informou ontem em Brasília que a identificação visual dos destroços do avião da Gol indicava que dificilmente haveria sobreviventes do acidente.
Ele ressaltou, porém, que somente com a chegada dos helicópteros e das equipes de busca no local seria possível confirmar se algum passageiro havia sobrevivido. O brigadeiro disse ainda que a região é de difícil acesso e que a equipe de resgate do avião teria de usar rapel para chegar ao local.
Pereira afirmou que mais de 200 homens de equipes de busca da Aeronáutica foram enviados para a região e que provavelmente teriam que ser abertas clareiras na mata para fazer o resgate.
O vôo 1907 da Gol, que havia saído de Manaus, seguia para Brasília e teria o Rio de Janeiro como destino final. Ele transportava 149 passageiros e seis tripulantes.
Segundo a FAB, a operação de resgate seria feita principalmente por helicópteros, por conta do difícil acesso. Os destroços, localizados por meio de contato visual, foram encontrados em uma fazenda no Alto Xingu, entre Pará e Mato Grosso, na região de Peixoto Azevedo. As buscas foram intensificadas ao amanhecer de ontem e as equipes chegaram ao local do acidente no início da tarde. Cerca de 200 pessoas, entre civis e militares, participaram dos trabalhos com apoio de cinco helicópteros e três aeronaves.
O avião Legacy, de fabricação da Embraer, que teria colidido com o Boeing da Gol e causado a queda dele em Mato Grosso, levava cinco pessoas, entre elas quatro americanos e um piloto brasileiro. A aeronave conseguiu fazer um pouso forçado na base aérea localizada na serra do Cachimbo, em Novo Progresso, no Pará. Até ontem a Infraero não sabia informar se havia feridos entre os passageiros do jato.
Segundo a Infraero, o avião Legacy ficará na base aérea de Serra do Cachimbo, na região da divisa entre Pará e Mato Grosso, até que a investigação seja concluída. A previsão da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) é de que o trabalho leve três meses ou mais para ser concluído.
O depoimento do piloto, que falou por cinco horas e cujo nome não foi divulgado, será mantido em sigilo, segundo a Infraero. A Embraer também não divulgou o nome do dono da aeronave.
O Legacy saiu de São José dos Campos, interior de São Paulo, e seguia para os Estados Unidos. Antes, faria uma parada em Manaus para abastecer. A aeronave está sem uma asa e sem a parte traseira que faz o controle de vôo, completou a Infraero.
A Gol Linhas Aéreas divulgou a lista de passageiros na madrugada de ontem. À tarde a lista foi corrigida com a informação de que uma criança de 11 meses, chamada Rebeca Macena, não embarcou na aeronave. Segundo a Gol, a única criança que embarcou no avião é João Ariano Calandrini, filho de Fabiana Calandrini, cujo nome já constava da lista.
No aeroporto de Congonhas, em São Paulo, funcionários do guichê da Gol forneciam o número de telefone (0800 2800749) para quem buscasse informações sobre o desaparecimento do avião. Parentes e amigos de passageiros seguiram para os aeroportos de São Paulo, do Rio e de Brasília em busca de informações e reclamaram da falta de declarações por parte da companhia aérea.
O piloto, o comandante Décio Chaves Jr., tinha 10 mil horas de vôo. A Gol informou que o avião desaparecido era novo - possuía 200 horas de vôo. Segundo a empresa aérea, o Boeing foi recebido do fabricante em 12 de setembro deste
ano.
Relatos - O radioamador Laudir Benevides, 56, morador de Alexânia (GO), disse ter avisado a Polícia Civil de Brasília sobre o desaparecimento do avião. Ele disse que estava com outros radioamadores quando a frequência foi interrompida por um rapaz que afirmou ter visto um avião de grande porte voando baixo perto da fazenda Jarinã, na cidade de Matupá (MT), e depois escutado um estrondo. ''Possivelmente seria uma explosão'', disse.
Segundo afirmou à Folha Online, após avisar a polícia, funcionários da Gol entraram em contato com ele. De acordo com Benevides, o local apontado ''é uma área de difícil acesso''.
Pilotos de táxi aéreo da região norte de Mato Grosso ouvidos pela reportagem também disseram que moradores de uma fazenda Jarinã, próxima à cidade de Peixoto de Azevedo (701 km ao norte de Cuiabá) ligaram para o piloto Silvio Corrêa e pediram o telefone do Campo de Provas da Serra do Cachimbo, após ouvirem a possível explosão. (Com agências)

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