Duas costelas, um braço e um pé fraturados. Em qualquer emprego formal, um acidente de trabalho que deixasse um ''saldo'' como esse seria motivo mais do que suficiente para um afastamento acompanhado de auxílio financeiro. No caso de um reciclador, a história é bem diferente.
Os ferimentos expostos acima foram sofridos por Maria Luzia Tadim, 41 anos, há quase um mês, quando estava dentro da kombi da ONG Reciclando Oeste, do Conjunto João Turquino (Zona Oeste). A recicladora, que dependia exclusivamente da coleta e triagem de lixo, está parada em casa sem qualquer auxílio, nem da empresa cujo carro teria provocado o acidente, nem da prefeitura.
''A louça está acumulando na pia porque cortaram minha água. Não posso comprar um uniforme para o meu filho. Estou dependendo da bondade de vizinhos e parentes, que não são obrigados a me ajudar'', desabafa Maria Luzia. O filho da presidente da ONG, Neuza Celestino Correia, 42, que dirigia a kombi, está em situação semelhante.
Por lei, os dois recicladores não têm direito a auxílios porque são informais. Sem condições de prestar ajuda financeira aos ''empregados'', Neuza esperava uma contrapartida do Município. ''Na hora que precisam de nós, recolhemos o lixo da cidade. Agora estamos abandonados'', diz.
O presidente da CMTU admite que a falta de alguns benefícios é o ''custo da informalidade''. ''Mas entre o catador que andava na rua sem apoio de ninguém e uma ONG, as condições dos recicladores melhoraram muito.'' (V.N.)

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