''Acho que tive uma vida normal''
''Não sei o que teria sido da minha vida se não tivesse ido para lá. Talvez nem estivesse aqui hoje.'' O depoimento do pintor de paredes Reinaldo Santos Carvalho, 27 anos, provavelmente resume o sentimento de todos aqueles que um dia foram acolhidos em abrigos, e ganharam novas perspectivas. Casado, pai de dois filhos (de dois e três anos), Reinaldo chegou ao Lar Anália Franco com quatro anos, acompanhado de uma irmã e um irmão.
''Éramos em oito irmãos. Um morreu e os outros, mais velhos que nós, foram criados por vizinhos'', conta o pintor, revelando que o pai abandonou a família e a mãe, com problemas de saúde, não teve condições de criar os filhos. ''Não tenho do que reclamar. Acho que tive uma vida normal, recebi estudo, educação.''
Reinaldo confessa que a adolescência não foi um período fácil. ''Eu era um pouco revoltado por não poder conviver com pai e mãe, mas depois superei tudo isso'', afirma. Depois que sua irmã foi adotada e saiu do Lar, ele nunca mais a encontrou. Já o irmão, vê com frequência. ''Ele também teve uns problemas, mas agora está tudo bem'', garante. Para os filhos, Reinaldo tenta dar tudo o que não recebeu, e também um pouco do que lhe foi dispensado: ''Meus filhos estão matriculados na creche do Anália Franco. Lá é bom'', justifica. (S.L.)





