Vendo a mãe com fortes dores e inchaços por todo o corpo, incluindo os olhos - a ponto de não enxergar nada -, a dona-de-casa Rosângela Domingues Gonçalves, 23 anos, também não conseguiu uma ambulância no Samu. O principal motivo de sua indignação com o serviço, entretanto, foi o tratamento dado por uma atendente. ''Até entendo que eles têm muito trabalho, mas acho que precisam ter mais consideração. Me disseram que só iriam pegar minha mãe se ela estivesse enfartando ou sangrando'', recorda.
Segundo a dona-de-casa, o próprio Samu a orientou para que ela levasse a mãe ao Hospital Universitário (HU). ''Corri para a rua e pedi carona a um desconhecido. Estava desesperada'', salienta. No HU, a aposentada Cleuza Rodrigues de Oliveira, 56 anos, enfrentou horas de espera num pronto-socorro lotado antes de conseguir atendimento. Acabou passando dois dias internada. ''Me revolta saber que meu marido paga todos os impostos direitinho, o mínimo que eles (Samu) tinham que fazer é atender a gente direito.''
Também nesse caso, a coordenadora do Samu, Rosângela Libanori, afirma que o envio de uma equipe não se justificava. ''Às vezes o que as pessoas querem é um carro. Quando você fala que tem que classificar um risco, elas ficam decepcionadas e até agressivas'', analisa, ressaltando que os atendentes são orientados a ''não entrar na agressividade''.
Para poder se defender de possíveis reclamações ou mesmo confirmar se houve falhas por parte dos funcionários, o Samu grava todas as ligações. Elas permanecem em arquivo digital por tempo indeterminado e, de acordo com Rosângela, podem ser solicitadas pelo Ministério Público (MP) ou pelos próprios pacientes.
A coordenadora observa que o Samu atende uma média de 1 mil ligações por dia, das quais somente 30% chegam a receber regulação (envio de ambulância ou encaminhamento para outras unidades). Pouco mais de 20% são trotes e a maioria são pessoas querendo orientação médica. (V.N.)

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