Terça-feira, 15 de julho. Seria mais um dia comum na vida da estudante Juliana Inglês Galvão, 12 anos, moradora do Conjunto Violin (Zona Norte de Londrina). Em férias, ela acordou por volta das 8h30, tomou café da manhã e passou a fazer o serviço doméstico. Perto do meio-dia, saiu para visitar uma amiga. Não voltou mais.
A jovem foi assassinada com um tiro na boca, por volta das 14 horas, numa casa na Rua Quero-Quero. Mais do que chocados, os pais estão revoltados e cobram justiça. Dois adolescentes de 15 e 16 anos estão detidos por suspeita de terem cometido o crime. Mas o que causa indignação ao vigilante Dirceu Inglês Galvão, 50, e à costureira Maria José Luciano Galvão, 40, é a possibilidade que eles voltem logo para as ruas.
''O que me deixa revoltada é a lei proteger o menor infrator. Hoje a lei condena um assassino a 30 anos só que ele fica pouco tempo na cadeia e isso não é justo'', lamentou Maria José, que esteve na FOLHA o marido.
O crime ocorreu na casa de um dos adolescentes envolvidos. O tiro, que acertou na boca da garota, foi disparado a cerca de 20 centímetros de distância. Depois, o corpo de Juliana foi arrastado para a calçada.
Dirceu lembra que naquela manhã fez o almoço para a filha e saiu para visitar a avó de Juliana e ir ao mercado. Juliana havia avisado que iria na casa de uma amiga. Ao voltar para casa, o pai ficou sabendo de um crime na vizinhança. Primeiro, ele ouviu que uma adolescente havia sido assassinada. Ao chegar em casa teve a confirmação que mais temia: a filha dele era a vítima. Nervoso, ele preferiu não ir ao local do crime e precisou ser medicado.
A mãe, que estava no trabalho, só ficou sabendo por volta das 15h30. Também ficou em estado de choque. ''Achei que minha vida fosse acabar'', disse Maria José.
Juliana, que era filha única do casal, tinha o hábito de sair sozinha para ir à casa de amigas, mas sempre avisava ou deixava um bilhete. Também fazia catequese e estava na sexta série no Colégio Estadual Lauro Gomes, para onde ia sozinha. Mas nunca, segundo os pais, frequentou locais suspeitos ou andou com más companhias. ''Nunca vi a Juliana nem conversando com 'tranqueiras.' Mas sempre dissemos que se ela gostasse de alguém ela deveria trazer aqui em casa para a gente conhecer'', disseram.
Dirceu e Maria José contaram que, apesar de serem da vizinhança, não conhecem os envolvidos no crime. Não descartam, no entanto, que a filha estivesse ''ficando'' com o dono da casa onde ocorreu o assassinato. Mas descartam a hipótese de que a filha estivesse sendo ameaçada. Até porque, na opinião deles, Juliana passaria a evitar frequentar a casa das amigas se estivesse sob risco.
Para a mãe, a jovem foi vítima da própria inocência. Por ter uma cabeça de criança, não teria consciência dos riscos da cidade. ''Ela era tão criança que ainda não pensava no futuro. Ela só dizia que quando crescesse queria morar numa casa com quintal bem grande, para recolher e cuidar de todos os cães e gatos que vivem nas ruas'', comenta.
O casal prefere não aparecer para evitar possíveis represálias. ''Queremos justiça. A Juliana era só uma adolescente. Já não temo nada porque o que mais importava era a minha filha, que tiraram de mim'', decreta Maria José.
De acordo com o delegado Ernandez César Alves, o inquérito foi concluído e encaminhado para a Promotoria da Vara da Infância e da Juventude. A conclusão é que os dois adolescentes são co-autores do homicídio. Ele informou ainda que um dos envolvidos já tinha passagem anterior pela polícia.

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