'Acham que somos um Google'
Curitiba - Criado em 7 de abril de 1855, o Arquivo Público do Paraná abriga toda a documentação oficial produzida e recebida pela administração pública. De acordo com a diretora, Daysi Lúcia Ramos de Andrade, o órgão é um dos mais preparados do País, com instrumentos, adotados de países como Canadá, Espanha e Estados Unidos, que facilitam o acesso ao material.
Denominado oficialmente Departamento Estadual de Arquivo Público (Deap), o órgão, subordinado à Secretaria de Estado da Administração e da Previdência, produz, recolhe, guarda, destina, preserva e permite o acesso aos documentos. Um estrutura reduzida de 23 funcionários, formada por profissionais de arquivologia, história, administração e tecnologia da informação, participa desde a criação do documento até o arquivamento final.
Entre os quatro mil metros lineares de documentos, um deles chama a atenção por sua idade. Datado de 1697, o inventário de Baltazar Carrasco dos Reis, um dos primeiros povoadores de Curitiba, traz o retrato de uma época nos termos utilizados, caligrafia, tipo de papel e tinta.
A equipe é responsável também por atender a pesquisadores e interessados em consultas. As solicitações podem ser feitas pessoalmente, por telefone ou pela internet. O requerente assina um termo de responsabilidade, comprometendo-se a não utilizar as informações de forma ilícita. Se desrespeitar o termo, a pessoa pode responder criminalmente na Justiça.
Segundo Daysi, o Deap recebe pedidos de todos os tipos. ''As pessoas desconhecem a função de um Arquivo Público. Acham que somos um 'Google'. Vem gente pedir informação sobre o parente desaparecido, árvore genealógica, etc. De qualquer forma, ninguém sai daqui sem uma resposta. Se não encontramos a informação, encaminhamos para o órgão responsável'', conta.
Outro trabalho realizado pelo departamento é o de organizar publicações temáticas com seleções de documentos. Uma delas, sobre os escravos do Estado, recebeu o Prêmio Rodrigo Melo Franco de Andrade, do Instituto do Patrimônio Histórico Nacional. No catálogo, verbetes tratam de nascimentos, castigos, ameaças, prisões e libertações dos escravos. Segundo a diretora, ''o acesso a alguns desses arquivos rendem dissertações inteiras de mestrado''. (M.R.M)





