O que você faria se encontrasse uma marmita, um arco e flecha, uma fantasia erótica ou uma dentadura ? Pensaria em devolver para o dono ou entregaria em uma seção de achados e perdidos ? Objetos assim, diferentes, também são esquecidos ou deixados em lugares públicos, junto com documentos, guarda-chuvas e celulares. E ao contrário do velho ditado, que diz que 'achado não é roubado', ficar com o que não nos pertence é crime e pode dar cadeia.
Achado é roubado e quem perdeu, nem sempre, é relaxado; pode ser alguém esquecido ou com pressa. Prova disso é que cerca de 30 documentos - entre cédulas de identidade, cadastros de pessoas físicas (CPFs), títulos de eleitor e carteiras de habilitação - são entregues semanalmente na agência central dos Correios de Londrina e outros 100 são, mensalmente, levados à garagem da Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL).
Nos correios são centralizados documentos encontrados nas ruas, lojas, terminal rodoviário, aeroporto e aqueles que são entregues em rádios e emissoras de televisão da cidade. Durante 60 dias eles ficam à disposição dos donos, depois são devolvidos aos órgãos emissores. ''As pessoas podem consultar se o documento está aqui direto pela internet - www.correios.com.br - e depois vir, pagar a taxa de R$ 3,00 e retirá-lo'', esclarece a atendente da agência central, Mariângela de Oliveira.
Não são somente documentos que são esquecidos. ''Já deixaram até uma marmita - quente - no ônibus'', conta o chefe de tráfego da TCGL, Daniel Martins. A empresa mantém um serviço de achados e perdidos onde as pessoas podem reclamar seus objetos em até 30 dias. Depois, eles são doados a asilos, lares e centros assistenciais. ''No inverno, enche de blusa de frio, e na chuva, obviamente, de guarda-chuvas'', se diverte. Outro tipo de objeto muito esquecido nos ônibus é roupa infantil.
Mas se as perdas são sazonais nos ônibus do transporte coletivo, são peculiares no Aeroporto de Londrina, onde, via de regra, circulam pessoas de classes sociais mais abastadas. ''Aqui é muito tradicional se perder o celular. Malas, casacos e objetos comprados como souvenirs também'', enumera o encarregado de atividades e operações da Infraero, Jair Delaqua. Certa vez, ele conta, um passageiro esqueceu um arco e flecha comprado durante a viagem. O instrumento, nada pequeno, ficou lá por uns dias até que o dono deu falta.
Já no Terminal Rodoviário, onde estima-se que transitem dez mil pessoas por dia, até fantasia erótica já foi esquecida (ou escondida). ''Encontramos no sanitário masculino uma fantasia completa de enfermeira, com salto alto e tudo'', ri o gerente operacional, Décio Fernando Rosseto Zulian. No salão onde se guardam os objetos por até 120 dias tem bicleta, televisão, relógios, dentaduras, correntes e até arreio. ''Falta só deixarem uma geladeira, o resto tem de tudo''. Ele conta que, tradicionalmente, as pessoas esquecem seus objetos quando vão ao banheiro ou ao usar o telefone. Para recuperá-los, os donos devem identificá-los.
De acordo com o delegado de Furtos e Roubos, Manuel Ângelo Martins Pelisson, qualquer objeto achado deve ser devolvido ao seu dono em até 15 dias; caso contrário, se o proprietário identificá-lo com outra pessoa e der queixa, o ''sortudo'' pode responder pelo artigo 169, do Código Penal apropriação de coisa achada , que prevê detenção de um mês até um ano. ''Se o objeto achado for de valor, a pessoa pode ser enquadrada até no crime de receptação'', alerta o delegado. Para quem fez registro da perda na polícia, ele orienta que seja dada a baixa no documento assim que o objeto for encontrado ou devolvido.

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