Acethac alia esporte, disciplina e inclusão na formação de atletas em Londrina
Projeto nascido em um "fundo de quintal" hoje atende crianças, revela talentos e usa a ginástica rítmica como ferramenta de transformação social
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 18 de maio de 2026
Projeto nascido em um "fundo de quintal" hoje atende crianças, revela talentos e usa a ginástica rítmica como ferramenta de transformação social

O esporte é capaz de mudar vidas de quem decide passar horas e horas por dia treinando para dar o seu melhor em competições que testam, além das habilidades técnicas, o físico e o mental de cada atleta. Há quase uma década, a Acethac (Associação Cultural Espaço Thalita Cumi) vem formando atletas e ajudando a pavimentar o caminho da ginástica rítmica em Londrina.
A FOLHA recebeu a presidente da Acethac, Cleuza Souza, para uma conversa para lá de especial. Ela contou sobre o trabalho que vem sendo desenvolvido na associação, os desafios enfrentados na difusão do esporte e nos projetos em andamento, como o Adote uma Atleta, e a Copa Londrina, que acontece neste mês de maio. A entrevista também pode ser conferida no FolhaCast, o podcast da Folha de Londrina.
O início
Souza conta que a história da Acethac começou no porão de sua casa, em 2017. A filha sempre foi atleta de ginástica e, somado aos treinos, precisava fazer aulas de balé. Com o custo elevado, ela e um professor decidiram transformar o local em um espaço de dança para que a jovem pudesse ter aulas. Com isso, algumas amigas da filha também começaram a frequentar o local e se interessaram pelo balé. No primeiro mês, pelo menos 20 meninas já estavam participando das aulas. No primeiro ano, 70 alunas estavam envolvidas com a atividade.
Com o grande interesse, o porão já não comportava mais as meninas. Foi a partir daí que a Acethac começou a se estruturar, com o balé dando lugar à ginástica rítmica, carro-chefe da associação e que vem trazendo grandes frutos, como premiações a níveis local, nacional e até internacional. “Nós começamos no fundo de um quintal e hoje você olha para a Acethac e ela é referência no Paraná de um clube de alto nível”, explica.
Hoje, a associação atende crianças a partir dos três anos com a iniciação na ginástica rítmica. “É uma coisa divertida para que elas conheçam a ginástica”, explica. A Acethac também desenvolve projetos junto às escolas municipais nas zonas leste e oeste para levar a ginástica para as alunas. A FOLHA apoia a entidade.

'Queremos que elas cresçam'
Além disso, uma ação própria da associação é voltada para crianças em situação de vulnerabilidade social na comunidade São Jorge, na zona norte de Londrina. O projeto oferece taekwondo e ginástica rítmica para 80 crianças, sendo que a equipe da Acethac é que vai até o local, facilitando a adesão por parte das famílias. “Nós queremos que elas conheçam o esporte e cresçam”, conta Souza, que comemora o fato de quatro meninas que saíram do projeto participam agora do treinamento na sede da Acethac.
A presidente destaca que existe uma relação muito estreita entre o esporte e a educação, sendo que as crianças e adolescentes precisam dos dois para poderem se desenvolver. Ela lamenta o fato de que muitos frequentam apenas a escola, permanecendo longe dos esportes, tanto por causa do poder público quanto das famílias. O esporte, segundo ela, ajuda a construir disciplina e evitar a evasão escolar.
Além disso, Cleuza Souza pontua a dificuldade em formar atletas de alto rendimento no nível adulto, já que muitos precisam sair do esporte a partir do 6° ano do ensino fundamental. Ela detalha que muitos atletas acabam estudando à tarde, período em que os treinos acontecem, sem opções de colégios com as aulas regulares pela manhã. “O direito de estudar elas já têm, mas estão negando o direito pelo esporte”, cobra.
Leia mais:
O treinamento
Ao falar sobre o dia a dia com as atletas, a treinadora Greisy Kelli Broio Rosa explica que todo início de ano é feito uma periodização em que é avaliada a resistência física, a capacidade aeróbica, a força, entre outros aspectos, como forma de preparação do corpo. Na sequência, o trabalho envolve questões de flexibilidade, que exerce um papel fundamental na ginástica rítmica.
“Nós temos que trabalhar três grandes grupos, que são os saltos, os giros e o equilíbrio”, cita Rosa, em relação às bases da ginástica. Com isso, cada um desses grupos são trabalhados separadamente nos treinos; e a prevenção de lesões é algo que ganha destaque dentro da rotina de treinos. “O pico de lesão na ginástica é o tornozelo, joelho, quadril e coluna, então a gente faz esse trabalho preventivo para fortalecer e não ter nenhuma lesão”, esclarece, celebrando o fato de que nenhuma atleta ficou lesionada seriamente nos dois anos em que está como treinadora da equipe.
Sobre os títulos, Cleuza Souza conta com orgulho dos três títulos internacionais que a Acethac já conquistou, além de outros a nível de Brasil e Paraná. Ela destaca o trabalho realizado durante a pandemia de Covid-19, em que as competições envolvendo 16 países aconteceram no modelo virtual. Como resultado, as atletas da associação conquistaram cinco medalhas de ouro, três de prata e duas de bronze.

Adote um atleta
Um dos projetos criados pela associação para auxiliar as atletas com o sonho de seguir no esporte, mas não têm condições de comprar as roupas ou acessórios necessários, é o Adote uma Atleta. Qualquer pessoa ou empresa pode auxiliar, basta entrar em contato com a Acethac para fazer uma doação, que pode ser até mesmo de uma sapatilha. “Na maioria das vezes são coisas simples, mas que a gente não tem”, afirma Souza.
Copa Londrina
A Copa Londrina de Ginástica Rítmica está na terceira edição e deve reunir mais de 30 clubes vindos de Curitiba, Cascavel, Marialva, entre outros municípios paranaenses. A competição acontecerá no dia 23 de maio, das 7 às 21h, no Colégio Estadual Vicente Rijo, sendo que às 19h será realizado o Festival de Dança das Atletas. A entrada é gratuita.
A entrevista
Confira a entrevista clicando no QR Code:



Jéssica Sabbadini
Repórter com atuação na cobertura local.



