O delegado-chefe da Polícia Federal de Guaíra, Érico Sacomato, não se surpreendeu com o resultado do estudo. Ele afirmou que desde 2006, quando chegou ao município, os números relativos à criminalidade vêm aumentando. ''Já sabíamos que este é o lugar que mais se mata por arma de fogo. O acesso ao armamento, via Paraguai, é muito fácil, apesar das constantes barreiras e operações desenvolvidas pela polícia'', argumentou.
Ele lembrou que, na região, tanto os traficantes como os contrabandistas de mercadorias em geral usam armas de grosso calibre. ''Todos os ingredientes para este tipo de tragédia estão presentes: falta de emprego para os jovens, acesso fácil a armas e contrabando gerando receita para as quadrilhas.'' De acordo com o delegado, porém, os investimentos em mais efetivo policial têm partido, basicamente, do governo federal. ''Falta o Estado investir em mais segurança.''
O vigário geral de Foz do Iguaçu, padre Sérgio Bertotti, também não se mostrou assustado com os números. ''Sentimos esta realidade diariamente, nos atendimentos que fazemos e nos muitos sepultamentos de vítimas de homicídios'', afirmou. Ele disse que a Igreja já promoveu eventos como uma marcha contra a violência, palestras direcionadas a jovens e oficinas. ''Acreditamos que se a juventude estiver envolvida com atividades de lazer, cultura e esportes, se afastarão da criminalidade.'' Segundo o vigário, faz parte da rotina dos padres da Diocese o atendimento às famílias que sofrem as consequências deste tipo de crime. (S.L.)

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