Uma pesquisa divulgada no site do Senado Federal no início de março indica que só há livrarias em 30% dos 5.564 municípios brasileiros. Outro dado preocupante é a média de leitura. Estudos indicam que o brasileiro lê, em média, 2,5 livros por ano. Nos Estados Unidos, o número sobe para 10 obras anuais e em países como Suécia e Dinamarca, para 15.
A falta de hábito de leitura é ainda mais aguda entre as crianças de bairros carentes, que não têm acesso a livros em casa. Nestes casos, a biblioteca escolar representa um oásis para os estudantes.
Na Escola Estadual Olavo Garcia, no Conjunto Avelino Vieira (Zona Oeste), 800 alunos têm à disposição prateleiras lotadas com 4,5 mil livros. O local é usado para pesquisas escolares, mas está passando por uma reorganização completa. Pior para os alunos, que estão privados do acesso aos exemplares neste início de ano letivo.
Os alunos Lucas Vitório Rodrigues e Fernanda Pontes, ambos de 11 anos, costumam emprestar livros de vez em quando. Talvez pela falta de acesso a outros meios de informação, como a internet, não conhecem - e consequentemente não requisitam - os livros das listas dos best sellers.
''Gosto de ler os livros da Bruxa Onilda. Já li a coleção inteira. É legal porque ela fala coisas engraçadas'', relata Fernanda. Além da falta de acesso, outro agravante é a ausência de exemplo em casa. As crianças contam que os familiares não têm o hábito da leitura. A mãe de Lucas, por força da religião, é uma exceção. ''Meu pai é católico e lê de vez em quando. Minha mãe é evangélica e sempre lê a Bíblia'', conta.
Os mais novos também costumam frequentar o espaço. Aluna da segunda série, Eloísa Lopes, 7, diz que sua história preferida é a da Chapeuzinho Vermelho. E que gosta de ler, mas ia à biblioteca mais no ano passado. O problema, explica a diretora Judithe Santana, é que a sala é usada também para organizar a distribuição dos livros didáticos, o que atrasa o início dos empréstimos.
Para a diretora, a única forma de facilitar a organização da biblioteca e evitar os atrasos no funcionamento é construir uma nova escola na região. ''A reforma do prédio atual, que é antigo, é inviável'', ressalta. (F.R.F.)

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