De acordo com o último Censo Escolar MEC/Inep, existem no Brasil 7.205 alunos com cegueira ou baixa visão matriculados em Escolas Exclusivamente Especializadas ou em classes especiais do Ensino Regular ou Educação de Jovens e Adultos. Incluindo neste grupo os estudantes atendidos em instituições conveniadas à Secretaria Estadual de Educação (Seed), só no Paraná, o número chega a 2.365.
Em Londrina, o Núcleo Regional de Educação (NRE) contabiliza 150 alunos atendidos pelo Instituto Londrinense de Instrução e Trabalho para Cegos (Ilitc), Centros de Atendimento Especializado em Deficiência Visual (CAE-DVs) e Sala de Recursos Multifuncionais tipo II, matriculados em escolas estaduais, municipais e particulares com cegueira total e com baixa visão.
O aluno do Ensino Fundamental supletivo do Colégio Dario Veloso (Zona Oeste), Ivan de Castro, de 40 anos, hoje pode ler, escrever e realizar as atividades propostas em sala de aula. Mas passou por muitos problemas até chegar a este estágio.
Castro nasceu com glaucoma e tinha dificuldades de enxergar desde criança. ''Até setembro do ano passado, eu tinha 20% da visão. Mas a pressão do olho subiu muito e então fiquei sem visão nenhuma. Fiz cirurgia, e voltei apenas com 10% da visão.'' Com os estudos parados na quarta série, ele voltou a estudar em fevereiro do ano passado.
No retorno à sala de aula, ele estudava com material ampliado e um laptop com leitor de tela (programa de voz que narra os textos que aparecem na tela). Dependia do par de óculos de 4,5 graus e da lupa que carregava na bolsa. Mas, ainda assim, ficava com a vista cansada.
''Agora, consigo ler e escrever ser forçar a visão'', ele comemora. Para estudar, ele usa uma lupa eletrônica disponível em uma das Salas de Recursos Multifuncionais do tipo II de Londrina, instalada no Dario Velozzo. ''Quando percebi que conseguia ler e escrever, cheguei a chorar. Escrevi uma carta para a superintendente de ensino do Estado para lutar para colocar mais lupas eletrônicas nas escolas. Quem dera houvesse uma lupa em cada classe.''
Através dessas salas especiais, os estudantes podem ter acesso a recursos de apoio pedagógico no contraturno escolar. Existem três salas do gênero disponíveis na cidade, equipadas com lupas eletrônicas comum e de mão, máquina de escrever em braille e material didático acessível, como livros e maquetes. As outras duas ficam nas escolas municipais Hikoma Udihara e Ignês Corso Andreazza.
A lupa eletrônica é um dispositivo que pode ser conectado a um monitor ou televisão usado para ampliar imagens e textos impressos. Depois de posicionado sobre a superfície a ser lida, como a de um livro, o aparelho exibe o texto ampliado na tela da TV ou do monitor.
Os equipamentos chegaram da Secretaria Estadual de Educação (Seed) do MEC às salas no decorrer do ano passado. A coordenadora pedagógica do Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual (CAP) de Londrina, Shirlei Mara Sambatti, que também é deficiente visual, ressalta que todos os equipamentos são de alto custo. No entanto, muitos desconhecem que podem ter acesso a eles nestas salas.
Exclusivas
As Salas Multifuncionais do tipo II atendem, exclusivamente, os alunos com deficiência visual. Sua implantação faz parte de um programa do MEC com o objetivo de atender as escolas municipais e estaduais.
Para comporem as salas, o MEC e os governos de Estado disponibilizam materiais didáticos e pedagógicos, equipamentos e mobiliário. Em conjunto, o ministério também fornece aos alunos matriculados no Ensino Fundamental, no Ensino Médio, na EJA e na Educação Profissional laptops, como recurso de acessibilidade ao livro e à leitura. Ao todo, existem 19 salas deste gênero espalhados pelas escolas do Estado.

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Acesso ao conhecimento quando não se tem visão
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