Frequentadores do Bosque Marechal Rondon (Centro de Londrina) estão divididos em relação à colocação de telas nas laterais do local, retirada do portão da parte central e fechamento do acesso à mata pelo Zerinho (pista de caminhada). As medidas fazem parte do projeto de revitalização da prefeitura, que pretende deixar o acesso livre 24 horas por dia - atualmente os portões de acesso nas avenidas Rio de Janeiro e São Paulo ficam fechados das 22 às 6 horas.
Na tarde de ontem diversos usuários comentavam sobre o serviço enquanto acompanhavam o trabalho dos operários da secretaria de Obras. A aposentada Sônia Andrade, que reside na Rua Espírito Santo, costuma passar pelo local todo dia. Apesar de considerar o Bosque um lugar agradável, quando anoitece ela prefere dar a volta no quarteirão do que atravessar o local. ''Acho que vai ficar bonito. É uma forma de manter a mata mais protegida né?'', comenta, questionada sobre a colocação das telas.
Aposentados que costumam passar a tarde no interior do Bosque, onde há mesas de jogos, lamentam a instalação das telas. ''Aqui é um lugar tranquilo, sossegado. Acho que não tem necessidade de fazer isso. Até as galinhas que tinha aqui antes já foram sumindo e é bom manter animais por aqui, eles são predadores, matam os bichos, insetos'', comentou o aposentado José Cesário Marins, 64 anos, que frequenta o local há mais de dez.
A moradora da Zona Sul, Fernanda Damasceno, que trabalha como diarista, estava na tarde de ontem no Bosque, onde o filha brincava no parquinho. Ela não costuma ir sempre no local e enquanto falava com a reportagem, três jovens passaram e ''mexeram'' com ela e com o filho. ''É por esse tipo de coisa que eu não venho aqui. Se em plena luz do dia fazem isso, imagine à noite então. Quando essa mata estiver cercada, eles vão cortar (a tela) e se esconder lá dentro. Vai ficar ainda pior'', lamentou.
Livre acesso
Para o presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Mauro Yamamoto, apesar de não haver seguranças no local, a companhia aposta na presença dos policiais militares que ficam num posto no Bosque. ''Vai ficar melhor porque haverá um livre acesso para as pessoas e o fluxo de gente deve aumentar ainda mais. Vamos revitalizaar todas as muretas, pintar, lavar os pisos e trocar todas as luminárias que não estiverem funcionando'', disse.
Ao todo são cerca de 220 metros de telas que cercam o local. Um portão na parte superior vai ser colocado para visitas monitoradas, como escolas ou pesquisadores. Ainda segundo Yamamoto, as mesas de jogos também serão retiradas e provavelmente serão colocadas na área comum do Zerinho.
A previsão para o término das obras no Bosque é de, no máximo, mais uma semana. Yamamoto ressaltou que os custos para a revitalização são mínimos, já que estão sendo utilizados muitos materiais reciclados. Após o Bosque, os próximos locais a serem revitalizados são os terminais de ônibus Milton Gaveti, Acapulco e Irerê. Nestes locais, as obras estão previstas para começar na semana após as eleições.

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