Pela primeira vez desde que a sede da Fazenda 7 Mil foi invadida, no sábado, em Jardim Alegre (130 km ao sul de Apucarana), por cerca de 600 famílias, o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) permitiu ontem que um oficial da Polícia Militar entrasse na área. O acesso só foi autorizado após três dias de negociações entre a Secretaria de Segurança Pública e representantes da Pastoral da Terra, ligada à Igreja Católica.
Acompanhado apenas do advogado Elso Bittencourt, que representa o MST na região de Ivaiporã, e de líderes do acampamento, o capitão José Carlos Xavier visitou o novo acampamento dos sem-terra junto à sede da fazenda. Ele declarou ontem que a maior preocupação das autoridades do Estado é com relação à segurança e integridade das 40 famílias de funcionários da 7 Mil.
Depois de percorrer o acampamento, o capitão revelou que os funcionários da fazenda e seus familiares não estão sendo ameaçados, e tiveram respeitada a privacidade de suas casas. Porém, segundo ele, todos estão sujeitos a cumprir as determinações ou o regulamento dos sem-terra.
‘‘Estes trabalhadores não têm direito de circular à vontade, ou de sair na hora que querem da propriedade’’, informou o capitão Xavier. Ele frisou que esta é uma situação constrangedora.
Com relação à casa da sede e o escritório da fazenda, Xavier admite que não pode observar se tudo estava em ordem. Na queixa-crime registrada na Delegacia de Jardim Alegre, o gerente da 7 Mil, Márcio Reis, garante que os sem-terra depredaram e saquearam vários setores da sede.
Crítica Márcio Reis, que é genro do proprietário da fazenda, Flávio Pinho de Almeida, criticou ontem a cobertura que a imprensa está dando ao episódio. Ele argumentou que 1,2 mil famílias tomaram uma área de 5,7 mil alqueires, numa das maiores invasões na história do Paraná, e que ‘‘as barbaridades praticadas pelos sem-terra têm sido minimizadas na imprensa’’.
Reis concorda que os jornalistas não estão tendo acesso à área invadida. Ele afirmou que as famílias foram aterrorizadas e humilhadas com saques, depredação e violência durante a invasão da sede.
Segundo ele, os funcionários querem sair da área invadida o mais rápido possível mas, por enquanto, não há como garantir acomodação adequada para todos. ‘‘Nós garantíamos a eles emprego, moradia, alimentação e outros benefícios, e como nosso direito de posse não está sendo respeitado, o Estado poderia ao menos contribuir com isso’’, afirmou Márcio Reis.

mockup