Acesf vai melhorar condições de trabalho
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 27 de julho de 2001
Maranúbia Barbosa De Londrina 
A superintendente da Autarquia de Serviços Especiais (Acesf) de Londrina, Cláudia Prochet, prometeu mudar as condições de trabalho dos servidores municipais. As medidas foram anunciadas por ela em uma reunião esta semana, depois que alguns funcionários denunciaram à Folha irregularidades trabalhistas. Eles utilizam caixão de madeira mais de uma vez para remover pessoas que morrem de causa natural, acidentados e corpos putrefatos, ficando expostos a infecções. Há cerca de três semanas, técnicos da Vigilância Sanitária vistoriaram a Acesf e deram prazo de 30 dias para que as condições de trabalho dos servidores sejam regularizadas. A superintendente também prestou contas aos funcionários sobre os sete meses de administração na autarquia.
De acordo com Cláudia Prochet, o laudo da Vigilância Sanitária não fez nenhuma menção sobre o uso das urnas de madeira, desde que sejam utilizados os equipamentos de proteção individual. Segundo o laudo da Vigilância, as luvas, máscaras e botas estão disponíveis, mas algumas vezes os servidores dispensam o uso. O uso de gorros está sendo estudado pela superintendência, que também prometeu providenciar capas de chuva para os motoristas. A superintendente informou que as urnas de fibra de vidro, que foram sugeridas pelos funcionários, serão compradas e entregues no início da próxima semana.
As plataformas de madeira dos carros de traslado, utilizadas para encaixar e fixar as urnas serão substituídas por metal, segundo Cláudia, para facilitar a limpeza do veículo. Ainda conforme a superintendente, a Secretaria de Segurança Pública deu parecer favorável ao convênio da Acesf com o Instituto Médico Legal (IML), para que o transporte de corpos em decomposição sejam feitos em camburão apropriado, com gavetas adequadas. Com o convênio, o IML cederia o carro e a Acesf, os motoristas. Segundo Cláudia, os carros de traslado da Acesf continuarão sem divisória, já que passarão a ser utilizados somente para transporte de pessoas falecidas por morte natural, e nos enterros.
A superintendente da Acesf disse que os funcionários, a maior parte deles, estão satisfeitos com o trabalho. Segundo ela, muitos servidores se sentiram revoltados com as denúncias, que não exprimiriam a opinião da maioria. Um funcionário, que não quis se identificar, procurou a Folha esta semana e disse que algumas pessoas denominaram os autores das denúncias de ratos. Cláudia Prochet afirmou que não tem conhecimento desse tipo de problema e que o clima é normal.
Outro funcionário da Acesf, que também procurou o jornal, afirmou que os técnicos da Vigilância Sanitária estiveram na Acesf, mas não verificaram a forma utilizada no transporte de corpos putrefatos. Ainda segundo funcionário, muitos servidores teriam queixas para fazer à Vigilância, mas ficaram com medo de retaliações. Segundo o funcionário, comenta-se na autarquia que os insatisfeitos com o trabalho serão rebaixados de função.
A superintendente Cláudia Prochet explicou que o Tribunal de Contas do Estado autorizou a readequação funcional dos servidores que estão contratados para um determinado tipo de trabalho mas, por alguma razão, não estão cumprindo a função. Cláudia não soube dizer se a mudança de cargo implica em diminuição ou não de salário.


