Londrina – Cerca de mil pessoas passaram ontem pela sede da Administração de Cemitérios e Serviços Funerários (Acesf), no centro de Londrina. Uma grande fila se formou no último dia do prazo para o recadastramento dos concessionários de sepulturas dos 13 cemitérios públicos da cidade. O prazo havia sido prorrogado por duas vezes. Segundo a superintendente da Acesf, Sônia Gimenez, desde janeiro, 26 mil pessoas compareceram à autarquia, com uma média de 300 atendimentos diários no mês passado.
Cerca de oito mil concessionários perderam o prazo e, para regularizarem a situação, terão que pagar multa de 2% e mora de 1% ao mês sobre os valores que variam de R$ 23,50 nos cemitérios distritais a R$ 117,50 no Cemitério São Pedro, no centro.
Sônia informou que a expectativa inicial era de arrecadar R$ 500 mil, porém com a alta procura, o montante já chegou a R$ 1 milhão. A superintendente explica que os recursos serão investidas durante os próximos 12 meses em melhorias nos 13 cemitérios, que incluem muros e banheiros, arborização, calçadas, dedetização, segurança e gestão de resíduos.
A aposentada Maurisa Franco já havia regularizado a situação dos túmulos de quatro parentes, mas na última hora lembrou-se da sepultura do bisavô. "A família é grande e a gente sempre acha que tem alguém cuidando. Decidi vir e acertar tudo de uma vez. Como ficou pra última hora, vou ter que encarar a fila", lamentou.
De acordo com Sônia, este é o primeiro recadastramento em 40 anos de existência da Acesf. "Há muitos túmulos antigos que não têm responsáveis. Antes ficava em nome da família. Hoje precisamos de um responsável legal, que é o primeiro contratante regular", explicou.

BENEFÍCIOS
A comerciante Rosana Aparecida dos Santos também teve que enfrentar a fila. Ela aguardava para entregar a documentação e pegar a guia de recolhimento do túmulo da irmã, sepultada no Cemitério Jardim da Saudade (zona norte). Sobre a taxa, Rosana considera um valor justo, desde que seja investida na melhoria do cemitério. "Se for para melhorar a conservação do cemitério, eu pago com gosto. É preciso melhorar algumas coisas como segurança, limpeza de coroas que ficam jogadas".
Sônia informou que as taxas vão dar melhores condições de trabalho, porém afirma que o maior ganho do recadastramento é para o setor administrativo. "Antes trabalhávamos no escuro. Não sabíamos a quem recorrer, quem avisar em casos de furtos, por exemplo. Hoje temos um mapa, com nomes completos, endereços. O trabalho só melhora com a participação dos concessionários", frisou.

mockup