Acervos guardados em locais provisórios
Londrina - Em Castro (Campos Gerais), o Museu do Tropeiro, criado em 1973 e administrado pela prefeitura, está fechado desde outubro do ano passado. O prédio, uma construção do século 18, é a edificação mais antiga do município, tombada pelo Patrimônio Histórico e Cultural do Paraná em 1978.
O museu está com o telhado cheio de goteiras. "Não podíamos arriscar que uma criança visitante escorregasse ou coisa assim e se machucasse", justifica Ronie Cardoso Filho, procurador geral da Prefeitura de Castro e membro do Conselho Estadual do Patrimônio Histórico do Paraná.
O acervo está exposto provisoriamente em outro imóvel histórico, localizado a poucos metros do museu. São mais de mil peças, entre elas arreios, malas, bolsas e ferraduras, da época em que o tropeirismo deu contribuição decisiva para a colonização do Sul e do Sudeste do Brasil.
Segundo Cardoso, um projeto de restauração do prédio está pronto desde 2010. A obra, orçada em R$ 500 mil, será tocada com dinheiro da própria prefeitura, que se cansou de esperar ajuda de outras esferas de poder. "Tentamos edital do Paraná Cidade (programa do governo do Estado), mas não deu certo", diz o procurador. Recursos do programa PAC Cidades Históricas, do governo federal, foram prometidos para a restauração, mas não foram liberados.
O procurador lamenta a dificuldade para manter um museu no Brasil. "O Paraná tem uma quantia pequena de bens tombados. É o mínimo que se pede para que tenhamos uma referência histórica."
SORTE
Em Guarapuava (Centro), o Museu de Ciências Naturais, administrado pela Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), está fechado desde dezembro de 2012 por questões de segurança e para a reforma do prédio. Segundo Maurício Camargo Filho, diretor do museu, o prédio pertence ao município, que o retomou para a reforma. "A tendência é que as obras durem de oito meses a um ano. Depois, precisaríamos de mais um ano para remontar a coleção", explica Camargo. "Com sorte, tudo ficaria pronto do meio para o final do ano que vem",
salienta o diretor, explicando que se a licitação não for concluída até 4 de julho, em razão das restrições eleitorais, as obras só poderiam ter início em 2015, o que atrasaria ainda mais a reabertura. "O município está se empenhando, fazendo o máximo dentro das suas possibilidades", elogia.
Em nota, a Secretaria de Meio Ambiente de Guarapuava deu uma estimativa mais otimista para a reabertura. "A previsão é de que no início de 2015 o museu já estará em funcionamento", apontou.
O museu existe desde 1998 e possui um acervo de milhares de peças (conchas, rochas, minerais, insetos, entre outros itens), que pertence à Fundação João José Bigarella para Estudos e Conservação da Natureza. (F.G.)





