Acervos desafiam passagem do tempo
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sexta-feira, 02 de janeiro de 2015
Vítor Ogawa<br> Reportagem Local 
Londrina - Os acervos culturais e históricos de Londrina necessitam de um acondicionamento adequado, com temperaturas baixas, controle de umidade do ar, ambiente livre de fungos e outros mecanismos para sua preservação. Alguns deles têm tentado se adequar, no entanto nem sempre isso tem sido aplicado corretamente nos espaços públicos dedicados a esse fim. A reportagem da FOLHA percorreu espaços como a Biblioteca Pública Municipal, na Região Central, o Museu de Arte de Londrina, o Museu Histórico Padre Carlos Weiss e o Centro de Documentação e Pesquisa Histórica da Universidade Estadual de Londrina para verificar como está o acondicionamento desse material.
Pesa contra essas instituições o fato de que nenhuma de suas edificações foi construída especificamente para a preservação de material histórico e cultural. Todas receberam adaptações, nem sempre com resultados satisfatórios. Há pouco mais de dois anos, em função do incêndio do Teatro Ouro Verde no início de 2012, todos esses imóveis foram inspecionados pelo Conselho Regional de Engenharia e Agronomia e pelo Corpo de Bombeiros, ação que detectou falhas em relação à manutenção dos prédios e à segurança. Esses itens possuem impacto sobre a preservação do material em seus acervos, mas não são os únicos que podem determinar a degradação dos objetos e documentos armazenados.
No Centro de Documentação e Pesquisa Histórica da Universidade Estadual de Londrina, por exemplo, há apenas uma porta de emergência, quando no mínimo deveria possuir duas. Além disso, em vez de ser uma porta corta-fogo, a porta é de metal e possui venezianas com orifícios que permitem a entrada de insetos. Some-se a isso a necessidade de uma chave para abri-la, mas que não fica na porta. O local também só possui um extintor para uma área de 200 m² e o espaço é separado de outro ambiente por uma divisória de fibra de madeira prensada, material que é inflamável.
O CDPH possui um acervo com mais de 40 títulos de periódicos que circularam em Londrina, discos de vinis da rádio UEL e um acervo com milhares de fotografias. "Nós temos a coleção completa da Folha de Londrina, acervos de coleções pessoais, processos antigos do Fórum e mapas da Companhia de Terras do Norte do Paraná", diz o coordenador do CDPH, Márcio Santos de Santana.
O coordenador relata que eles têm tido problemas para digitalizar o material porque o servidor da UEL está sobrecarregado e não há espaço para armazenar os arquivos. "A gente vinha com trabalho intenso de escaneamento de fotos, mas hoje temos salvado na memória dos próprios computadores. A UEL adquiriu um novo servidor, mas quando ele for instalado dará margem para apenas mais um ano de trabalho", explica.
No CDPH não há sistema de detecção de fumaça e nem de câmeras para identificar um incêndio no começo, e há somente um extintor para toda a área. O coordenador destaca que o ar-condicionado quebrou duas vezes em dois anos. Em uma delas o equipamento permaneceu quebrado por quatro meses, o que provocou danos nos mapas e livros que estavam armazenados, já que o aumento da temperatura fez com que surgissem fungos e as páginas dos livros ficassem amareladas. A última vez foi há poucos meses, e o equipamento foi consertado com recursos da pós-graduação.
"Tivemos que higienizar tudo, mas houve o risco de perda do acervo. Foi uma contaminação pesadíssima. Tivemos que usar uma solução química para tentar recuperar. Uma coleção de Leis Brasileiras doada por Michael Traumann quase se perdeu", diz o coordenador.
Santana destacou que o prédio do CDPH ainda possui várias outras necessidades. "Ele é muito pequeno, os corredores são estreitos, a ventilação não é ideal, o espaço físico já não comporta os equipamentos e o número de alunos trabalhando aqui. Às vezes os alunos nos procuram para ajudar em trabalhos de pesquisa e não temos espaço para isso. Nós vamos usando a criatividade para superar as dificuldades, mas os recursos financeiros são escassos. Nosso mobiliário e equipamentos vêm de verbas de projeto de pesquisa pela Capes ou de editais para programas de mestrado e no final do projeto o material utilizado é doado como recurso para a gente. É dessa maneira que o CDPH tem conseguido melhorar suas instalações", destaca.


