Acervo é retirado do Ouro Verde
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2012
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
A retirada dos três pianos do Teatro Ouro Verde foi acompanhada de muita apreensão ontem de manhã. No chão, em frente ao teatro que fica no Calçadão de Londrina, havia vidro e cinzas, lembranças do incêndio que destruiu por completo a parte interna do espaço. A marcas da fumaça nas janelas superiores do prédio chamam atenção de quem passa pela rua. Em meio a este cenário os instrumentos foram retirados. A Universidade Estadual de Londrina (UEL), responsável pelo teatro, contratou uma empresa especializada para realizar o serviço. A retirada durou cerca de 30 minutos e foi acompanhada por alguns curiosos.
Os pianos não foram danificados pelo fogo, mas pelo menos um deles foi molhado no combate ao incêndio. Um dos instrumentos veio da Alemanha, chegou a Londrina no ano de 2010 e tem custo estimado de US$ 170 mil. De acordo com a reitora da UEL, Nádina Moreno, a empresa cobrou R$ 700,00 para transportar cada piano e a afinação de cada um, que deve ser feita posteriormente, chega a custar R$ 5 mil.
''Dois pianos serão levados para a divisão de Artes, na Casa de Cultura da UEL e o terceiro vai ficar no anfiteatro do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa), no campus na universidade'', disse a reitora. Ela informou que os instrumentos serão restaurados o mais rápido possível para que possam voltar a acompanhar as apresentações da Orquestra Sinfônica da UEL (Osuel).
''Temos que salvar todos eles. Posteriormente vamos trazer um especialista para avaliar a situação, mas estamos confiantes que eles não estão muito danificados'', disse a pianista da Osuel, Irina Ratcheva.
O porão do teatro guardava, além dos pianos, documentos, discos de vinil e partituras raras que foram retiradas por funcionários da UEL, músicos da Osuel e voluntários. O grupo de mais de 30 pessoas fez um cordão humano e aos poucos esvaziou o cofre que manteve intacto o arquivo do teatro. O crítico de cinema Carlos Eduardo Lourenço Jorge, disse que no local havia latas de filmes em 16 mm que faziam parte de um núcleo de cinema educativo que existia na cidade na década de 70. ''Vamos estudar a possibilidade de enviá-los para a cinemateca brasileira para serem preservados.''
Obra do arquiteto Vilanova Artigas, o Ouro Verde deverá ser reconstruído a um custo estimado de R$ 25 milhões. De acordo com a reitora Nádina Moreno, o projeto de reforma levará cerca de 90 dias para ficar pronto. Precisamos começar estas obras o quanto antes.''
Entulhos
A equipe do Instituto de Criminalística solicitou que fosse retirada parte do telhado que caiu com a ação das chamas, para que o trabalho de perícia possa ser feito nas imediações do palco do teatro. As duas empresas da cidade que realizam este trabalho repassaram os orçamentos na tarde de ontem para a instituição. Conforme a engenheira civil e diretora de obras e manutenção do câmpus da UEL, Tânia Pessoa, a expectativa é que a empresa vencedora seja definida hoje e que o serviço comece a ser realizado até o final desta semana. ''Esta retirada é rápida, acredito que seja concluída em menos de uma semana'', disse.


