Acervo da Biblioteca Pública está interditado
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sexta-feira, 08 de setembro de 2006
Silvana Leão<br> Reportagem Local 
Cerca de 5 mil livros deixaram de sair da Biblioteca Pública de Londrina no último mês, em razão da greve dos servidores municipais. Operando com cerca de 30% dos funcionários, a instituição está abrindo as portas apenas para receber os estudantes que precisam de um local para estudar ou se reunir com colegas e os assíduos leitores de jornais. O acervo está fechado, tanto para consultas como para empréstimos, assim como permanecem desligados os oito computadores disponíveis para pesquisa na internet.
Quem havia retirado livros antes do início da greve, que começou em 8 de agosto, pode devolvê-los após o retorno dos servidores. Mesmo assim, segundo a bibliotecária Rosângela Rocha de Mello, cerca de 50% do livros emprestados até o dia em que foi deflagrada a paralisação já foram devolvidos. ''Normalmente em agosto é registrada bastante procura por livros, por ser o mês do folclore, e também porque os alunos que vão prestar vestibular começam a procurar as obras indicadas nas listas das universidades'', observa Rosângela, lembrando que normalmente os usuários já convivem com o acervo limitado, que gera listas de espera.
A bibliotecária esclarece que a interdição do acervo foi necessária porque o setor em funcionamento implica em empréstimos, ''e não queremos criar este tipo de expectativa se não tivermos funcionários suficientes para o atendimento''. De acordo com Rosângela, normalmente 15 funcionários trabalham no setor, revezando-se em dois turnos.
Outra medida tomada para viabilizar o funcionamento da biblioteca foi a antecipação no horário de fechamento e a abertura apenas em sábados intercalados. ''Em vez de fecharmos às 19 horas, estamos fechando às 18 horas, e abrindo sábado sim, sábado não.''
Com estas mudanças, o número de visitantes tem sido bem reduzido. Enquanto a média, em dias de funcionamento normal, é de aproximadamente 1,2 mil pessoas, nestes dias de greve têm sido registrados em torno de 700 usuários. Muitos, apesar da ampla divulgação da greve dos servidores, não associam a biblioteca com o movimento.
Foi o caso da estudante do curso de Letras da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Pamela Ribeiro Toneto, que ontem foi até a biblioteca com dois objetivos: fazer um trabalho em equipe e adiantar uma pesquisa sobre Tarsila do Amaral. Com o acervo fechado, ela foi obrigada a se limitar ao trabalho em equipe, feito com base em material obtido na universidade. ''Queria adiantar a pesquisa, mas não teve jeito. Vou ter que esperar até segunda-feira e ir à biblioteca do campus'', conformou-se.
Quem também enfrentou dificuldades para fazer uma pesquisa na semana passada foi a empregada doméstica Francisca Perceguini. ''Eu fui até lá (na biblioteca) à procura de um livro sobre escoteiros, para levar para o meu neto. Não sabia que não estavam emprestando livros. Daí me disseram para ir até à biblioteca do Sesc, mas lá também não consegui nada.'' A pesquisa do garoto teve que contar com a ajuda da patroa de Francisca, que recorreu à internet.


