Célia Baroni
A comunidade japonesa de Londrina festejou ontem os 91 anos da imigração japonesa no Brasil, comemorada no dia 18 de junho. A solenidade realizada pela Associação Cultural Esportiva de Londrina (Acel) reuniu mais de 400 pessoas no salão principal do clube. O evento homenageou cerca de 300 idosos com mais de 80 anos, a maioria pioneiros.
Eles receberam das mãos do cônsul geral do Japão, Hajime Sasaki, e do presidente da Acel, Kentaro Katahara, um ‘‘yunomi’’, chícara de chá sem alça, um dos símbolos da cultura nipônica, como lembrança. ‘‘Um povo que não valoriza a experiência, força e sabedoria do seu idoso enfrenta, necessariamente, problemas de identidade porque os valores de referência são importantes e fazem falta na formação moral e social do indivíduo’’, afirmou Katahara.
As comemorações foram abertas ainda na parte da manhã, com um Ireisai - orações budistas - em reverência aos parentes e membros da comunidade mortos. Entre os homenageados estava Tomi Nakagawa, hoje com 83 anos, última sobrevivente do Kassatu Maru, primeiro navio que trouxe imigrantes japoneses para o Brasil. Ela, no entanto, não era a mais idosa entre os presentes. Foram homenageadas pessoas de 80 a 99 anos.
Após os discursos, um coral de 40 crianças cantou músicas folclóricas japonesas. Três redações sobre a imigração japonesa (escritas em japonês), selecionadas entre os alunos das escolas japonesas da cidade foram lidas pelos seus autores. Na programação do evento que se estendeu até a tarde de ontem, estavam ainda um almoço, apresentação do Coral da 3ª Idade e danças tradicionais.
A professora da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e coordenadora do Grupo da 3ª Idade da Colônia, Luiza Deliberador, explica que a família brasileira descendente de japoneses é menos formal que as japonesas. ‘‘Somos brasileiros, mas fazemos questão de guardar valores importantes da cultura de nossos pais e antepassados como a valorização da família, respeito e valorização dos pais e idosos’’, comenta.
Os Kumis - sessões regionais da comunidade japonesa da cidade - se organizaram para convidar seus idosos para o evento. Katahara explica que os Kumis começaram a se formar junto com a cidade, por volta do ano 1.935, à medida em que os imigrantes iam chegando e estabelecendo moradia. Ao todo são 27 Kumis e cada um tem seu representante. Formados para fortalecer a unidade, os Kumis são hoje um importante e eficiente canal de comunicação das notícias da comunidade japonesa local.
‘‘Os eventos e até mortes são divulgados através dos Kumis. Os representantes vão de casa em casa informando. Em 15 minutos todos ficam sabendo’’, diz Katahara. O levantamento mais recente dá conta que vivem em Londrina 5.500 famílias de descendência japonesa - cerca de 30 mil pessoas ou 6% da população local. No Brasil calcula-se que 1% da população seja descendente de japoneses.
Ele lembra que mesmo vivendo no Brasil, a longevidade deste povo e seus descendentes, atribuída principalmente aos hábitos alimentares, supera a longevidade dos brasileiros. Há muito o Brasil deixou de ser um país jovem e conta hoje com 8,5% de sua população com mais de 65 anos. Entre os descendentes de japoneses e japoneses que vivem aqui, este índice é de 10%.
Festa no Batel - A comunidade nipo-japonesa de Curitiba comemorou os 91 anos da chegada dos primeiros imigrantes ao Brasil e 90 anos no Paraná, com uma grande festa que aconteceu neste final de semana. A Praça do Japão, no bairro do Batel, foi enfeitada com tabanatas, ou adornos típicos e serviu de palco para shows de taikô (tambores japoneses), karaokê, danças, aikido, karatê e kendô (artes marciais). A festa contou ainda com exposição de ikebanas, além de um centro gastronômico com comidas típicas japonesas e brasileiras. Colaborou a Sucursal de Curitiba

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