ACDD exige transporte adequado
Enquanto o sistema de transporte coletivo de Foz do Iguaçu mantém fora de funcionamento, há quase quatro meses, quatro ônibus equipados com elevadores para cadeiras de rodas, deficientes físicos da cidade atendidos pela Associação Cristã de Doentes e Deficientes Físicos (ACDD) são transportados em um veículo sem rampa de acesso e cinto de segurança. Os internos que, devido a deficiências motoras não conseguem ficar sentados, viajam deitados no fundo do ônibus, sobre colchões.
Em reportagem publicada na edição de ontem, a Folha revelou que o programa de transporte de deficientes físicos, lançado em 2 de outubro do ano passado pela Prefeitura de Foz do Iguaçu, ainda não está funcionando. Segundo as empresas do setor, os quatro veículos equipados com elevador para cadeira de rodas não estão circulando porque a prefeitura ainda não rebaixou as calçadas até o nível da rua para que o deficiente chegue com facilidade aos pontos de ônibus. A prefeitura alega que ainda não fez as obras por falta de recursos.
Seria mais proveitoso se um desses ônibus que estão parados nos fosse cedido para o transporte de nossos internos, disse à Folha Felipe Campista, presidente da ACDD. Campista afirmou que nem sabia da existência desses quatro veículos equipados com elevadores.
O ônibus utilizado pela ACDD é um veículo convencional, cedido pela prefeitura. Diariamente, ele transporta as 57 pessoas com deficiência física, visual ou auditiva, atendidas pela entidade. O grupo tem idades entre 3 e 30 anos. No local, os atendidos permanecem entre as 8 horas e as 18 horas, fazem três refeições diárias, têm aulas e recebem tratamento dentário e de fisioterapia. Todo o atendimento é gratuito.
Segundo Campista, os deficientes físicos que não conseguem andar são carregados para dentro do ônibus por funcionários. Os assentos não possuem cintos de segurança. Há pouco tempo, uma criança caiu do banco e bateu a cabeça no chão, lembra o diretor. Para evitar muitos acidentes, os deficientes com problemas motores mais graves são colocados deitados no chão, sobre colchões.
Em agosto do ano passado, a ACDD enviou ao Ministério da Educação um pedido de verba para adaptar um ônibus ao transporte de deficientes. Segundo Campista, seriam necessários R$ 20 mil para comprar um veículo usado e fazer as modificações necessárias. Até esta semana, o ministério ainda não havia dado a resposta.Reprodução/Ney de SouzaAlunos da ACDD sendo transportados no fundo do ônibus que serve a entidade, deitados sobre colchõesValmir Denardin





