O serralheiro Charles Roger da Silva, 26 anos, apontou Joel Queirós como autor do disparo que atingiu o estudante Cristian Moretto, 18 anos, em abril de 97. A afirmação do serralheiro contraria a versão dos acusados, os irmãos Rubens e Joel Queirós. Até agora Rubens vinha assumindo sozinho a responsabilidade do tiroteio que acabou ferindo duas pessoas e matando o estudante. Joel negava estar armado na ocasião. A polícia encontrou apenas uma arma de calibre 32 que teria sido usada por Rubens Queirós.
Charles da Silva reconheceu Rubens e Joel Queirós em acareação presidida ontem de manhã pelo juiz da 1ª Vara Criminal, Jurandir Reis Júnior. As vítimas foram colocadas frente a frente com os acusados para fazer o reconhecimento. A acareação foi necessária para esclarecer se Joel Queirós estava ou não armado no dia do tiroteio. O serralheiro disse ao juiz que, naquela ocasião, os dois irmãos estavam armados.
O crime aconteceu por volta das 10h30 do dia 12 de julho de 96 em uma lanchonete da Vila Siam (zona leste). Cristian Moretto teria cumprimentado a moça que estava na companhia de Rubens e Joel de Queirós. Os irmãos não gostaram e começaram a atirar. ‘‘O Cristian achou que conhecia a moça. O Joel levantou e disse que quem o Cristian conhecia era ele. Cristian virou e saiu para não arranjar briga, mas o Joel pegou a arma e atirou’’, contou Charles da Silva à Folha.
Ele afirmou que estava de frente para os acusados quando Joel Queirós sacou a arma e atirou em Cristian. ‘‘Aconteceu tudo ao mesmo tempo. Sei que os dois estavam armados porque enquanto o Joel atirava em Cristian, eu segurava a mão de Rubens que estava com a arma apontando para mim’’, afirmou. Charles foi baleado no rosto, na altura do nariz e no peito, logo abaixo do braço. A primeira bala transpassou seu rosto.
Rubens e Joel Queirós fugiram logo após o crime e estão respondendo ao processo em liberdade. Cristian morreu em abril de 97, nove meses e cinco dias depois de ter sido ferido; tempo que passou em estado vegetativo, entre a sua casa e o hospital.
Rubens e Joel Queirós também foram reconhecidos por Edenilton Rodrigues. Ele estava na lanchonete e foi atingido no abdômen por um dos disparos. Edenilton Rodrigues disse em juízo que reconheceu o tipo de arma utilizada pelos acusados. Segundo ele, Rubens estaria usando um revólver 32 e Joel, um 38. A afirmação reforça a participação de Joel Queirós no tiroteio. O projétil que atingiu Cristian Moretto é de uma 38. Rodrigues justificou seu conhecimento de armas afirmando que já foi militar.
Rubens e Joel Queirós foram denunciados por homicídio qualificado por motivo fútil e, se condenados, estarão sujeitos a uma pena que pode variar de 12 a 30 anos de reclusão. O Juiz Jurandir Reis Júnior deverá ouvir ainda Hélio Rodrigues da Silva, testemunha de defesa que não pôde comparecer ontem. No dia 14 de agosto, às 13h30, o juiz ouve as testemunhas de defesa - em favor dos irmãos Queirós. Depois será marcada nova audiência para o Ministério Público e defesa apresentarem suas considerações finais. Concluída esta fase, o juiz decide se pronuncia os acusados e se eles serão levados a júri popular.

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