Acapulco poderá ter Prisão Provisória
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terça-feira, 25 de março de 1997
Edmara Michetti 
A discussão em torno da construção da Cadeia Pública ou Prisão Provisória de Londrina parece não ter fim. Depois de definido um terreno na estrada do distrito de Maravilha, para a construção da Cadeia, o terreno aos fundos da Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) volta a ser objeto de estudo do Governo do Estado. Só que, desta vez, para a construção de uma Prisão Provisória. A diferença entre Cadeia e Prisão Provisória, na prática, é administrativa.
Ontem o secretário Estadual de Justiça, Edson Vidal Pinto, tratou do assunto com o prefeito Antonio Belinati, durante visita à Cidade. O secretário falou sobre a possibilidade do município doar novamente a área no jardim Acapulco ao Estado. A área de mais de 10 mil metros quadrados já foi doada através de lei municipal na administração passada. A lei foi revogada depois que os moradores do bairro se revoltaram contra a escolha do local para construir a Cadeia. A alegação na época foi que uma Cadeia provocaria um tráfego de gente indesejada no bairro, colocando os moradores em risco.
Para não contrariar os moradores, o projeto agora seria de uma Prisão Provisória, com saída pela PEL e não pela rua do terminal de ônibus Acapulco. O prédio funcionaria com uma espécie de ampliação da PEL. Como Prisão Provisória, a unidade seria administrada pela Secretaria de Justiça e não a de Segurança, como ocorre no caso de cadeias e delegacias. Com isso, a unidade seguiria os moldes da PEL. Apesar de a Prisão Provisória ser específica para presos já julgados, mas que entraram com recursos na Justiça, a de Londrina faria as vezes de uma cadeia, abrigando também os presos que aguardam julgamento - aqueles que superlotam os distritos policiais locais.
Mesmo sem nada formalizado através de documentos, o prefeito Antonio Belinati se comprometeu a fazer a doação do terreno assim que o governador Jaime Lerner aprove a decisão. Belinati espera uma resposta do governador na abertura da 37ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina, no dia 3 de abril. Encaminhamos o projeto de doação para a Câmara assim que o governador aprovar, disse. O prefeito não quis dar sua opinião sobre a idéia de usar o mesmo terreno que provocou revolta nos moradores. Isso é assunto do Estado. Só espero que se resolva o mais rápido possível, disse. Só não podemos contrariar a população.
Essa é a quarta vez que a unidade para presos provisórios muda de lugar e não sai do papel. O projeto original previa a construção num terreno ao lado da PEL, no jardim Del Rey. Os muros chegaram a ser erguidos mas a obra foi interrompida em 95 porque o terreno foi considerado pequeno para a unidade. A área tem cerca de 4 mil metros quadrados. O destino desse terreno agora deve ser a construção de barracões para empregar os presos da PEL. A segunda proposta foi a de utilizar o terreno do Acapulco. Com a rejeição dos moradores pela construção da Cadeia no local, o projeto ficou parado até que o empresário Luiz Ferreira ofertasse uma área particular na saída para o distrito de Maravilha para a obra, em dezembro do ano passado. Depois de muita conversa, a proposta foi aceita, a doação concretizada e os estudos técnicos retomados com reformulação do projeto anterior. Pela distância do terreno do centro, a parte administrativa e a delegacia continuariam na rua Sergipe. Mas tudo pode voltar a estaca zero novamente, e todo o trabalho dos técnicos municipais e estaduais pode ser mais uma vez perdido.


