A internet tem sido cada vez mais utilizada para mobilizar as pessoas em prol de uma causa e para marcar manifestações presenciais. No último domingo, cerca de 100 pessoas se reuniram no Zerão para protestar contra a falta de segurança. A professora da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Kelly Prudêncio, afirma que a internet mudou a forma de ativismo político. ''As pessoas achavam que a internet acabaria com as manifestações presenciais, mas hoje as pessoas realizam ações virtuais para fins de mobilização presencial.''
No caso da manifestação contra a violência em Londrina, o ponto de partida foi uma página criada em uma rede social por Alesandra Jamus Marchi, uma londrinense que vive na Espanha, o que mostra que as fronteiras políticas deixaram de ser um obstáculo para mobilizar as pessoas.
Ela mesma afirma que não esperava que sua iniciativa fosse chegar a esse ponto, de mobilizar pessoas mesmo do outro lado do Atlântico. ''Primeiramente encaminhei a mensagem para os meus amigos de Londrina e eles ajudaram a espalhar a ideia'', conta. Ela diz que utiliza a rede social apenas para manter contato com os amigos daqui, mas quando esteve na cidade há 20 dias ficou sabendo que a situação da segurança na cidade estava perigosa.
''Quando retornei à Espanha fiquei sabendo do tiro que a Isabela (Tibery Garcia Lopes) havia levado'', conta. Ela afirma que é necessário dar um basta a essa situação e pensou em algo que pudesse ajudar mesmo estando distante. ''Logo a página recebeu mais de 1,5 mil seguidores'', conta. A empresária Isabela foi vítima de um assalto no Centro de Londrina, na semana passada.
A jornalista Paula Diniz, do Instituto Lado a Lado pela Vida, também ficou chocada com o episódio e com as notícias frequentes de crimes na cidade e passou a convocar as pessoas por uma rede de microblogs com o mote LondrinaSegura e também pela mesma rede social utilizada por Alessandra. Paula também criou um blog para pessoas que não possuem acesso a nenhuma rede social. Ela atualmente mora em São Paulo, mas nasceu e foi criada em Londrina. Para ela, as redes sociais contribuem para formar um pensamento mais coletivo. ''Os países que sofreram mudanças na política e na economia conseguiram plantar a semente do coletivo na cabeça das pessoas'', conta.
Moeda
Uma manifestação contra o preço dos combustíveis também mobilizou recentemente cerca de 150 pessoas em Londrina com o lema ''Na mesma Moeda''. O grupo reúne as pessoas para que abasteçam apenas R$ 0,50 de combustível em determinado posto e pedem a nota fiscal. O objetivo é fazer com que o custo do abastecimento supere o gasto com a nota fiscal.
Os manifestantes planejam uma outra ação em Londrina para o próximo dia 21 com o objetivo de chamar a atenção para os altos impostos que incidem sobre os combustíveis. Segundo um dos participantes, o consultor de vendas Alberto Henrique Dias, a internet facilita a comunicação com pessoas de determinados segmentos e ONGs. Revoltado com o preço dos combustíveis, Dias conta que ficou pesquisando sobre o assunto na internet até que achou algo com que se identificou. Na sua opinião, a manifestação não teria o mesmo alcance se não existisse a internet.

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