Uma ação impetrada na Justiça Comum ontem pela chapa de oposição tenta impedir que seja realizada, na tarde de hoje, a eleição para a nova diretoria da Associação Comunitária dos Idosos de Londrina (Acil), que congrega cerca de 200 pessoas e funciona desde 1987 com sede na Vila Brasil (área central). A eleição é para um mandato de dois anos.
A ação da chapa de oposição, apresentada pelo advogado Luiz Henrique Gomes Silva, solicita uma medida liminar com base em denúncias de irregularidades econômico-administrativas que teriam sido cometidas pela atual diretoria da entidade, presidida há oito anos pelo lavrador aposentado Américo Deolindo Garla, 81 anos, que é candidato à quarta reeleição consecutiva pela chapa situacionista.
As denúncias foram registradas também, na última semana, junto à promotora de Defesa dos Direitos dos Idosos da cidade, Édina Maria Silva de Paula, e ao Conselho Municipal de Assistência Social. A chapa oposicionista, encabeçada pelo protético aposentado Joaquim de Abreu, 83 anos, alega que há desvio de dinheiro na entidade, que os diretores recebem salários apesar de proibição estatutária, e que ocorrem manipulações nas atas e documentos da Acil.
Estas denúncias foram feitas publicamente aos idosos ontem à tarde, durante a assembléia ordinária da associação para aprovação do balancete financeiro de 98, pela candidata a tesoureira da chapa de oposição, Carmen Leite Bastos. ‘‘Este balancete é fajuto, sem notas fiscais e sem comprovação dos gastos. Ninguém sabe ao certo o que entrou e o que saiu, é tudo manipulado’’, acusou ela, solicitando cópias do balancete e de todas as notas fiscais de entradas e saídas à atual diretoria.
Pelo balancete apresentado ontem, a entidade teve neste ano despesas de R$ 186.122,30 e receitas de R$ 198.311,00. O presidente Américo Garla, que teve as contas aprovadas por aclamação entre muitos aplausos e pequenas vaias, afirmou que as cópias do balancete e documentos só serão fornecidas para uso externo através de pedido judicial.
A assembléia de ontem foi rápida e transcorreu sob um clima tenso, com muito bate-boca entre os integrantes das chapas adversárias. Participaram cerca de 150 idosos, e nenhum incidente mais grave foi registrado. Ela foi acompanhada por integrantes do Conselho Municipal de Assistência Social (Cmas), que esperavam fazer uso da palavra para informar aos sócios da entidade sobre a abertura do processo para apuração das denúncias de irregularidades.
Mas o presidente da Acil, Américo Garla, não concedeu esta oportunidade aos conselheiros. ‘‘Infelizmente, não nos deixaram falar. Iríamos comentar a respeito do processo que investiga os indícios de irregularidades e pedir à assembléia que adiasse a eleição por, pelo menos, um mês. Isto não foi possível. Agora, caberá à Justiça apurar as responsabilidades e tomar as providências’’, ressaltou Giolinda de Moraes Alves, conselheira do Cmas.
A promotora Édina Maria de Paula adiantou que este caso não diz respeito à sua promotoria. ‘‘As pessoas da aposição me procuraram para uma orientação, porque trabalho na defesa dos idosos. Mas a questão desta associação é da alçada da Justiça Comum, porque ela é uma entidade jurídica dirigida por pessoas maiores de idade e capazes. Não cabe a mim uma intervenção.’

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