A Secretaria de Ação Social de Londrina está fazendo contatos e deve iniciar nos próximos dias reuniões com vizinhos e proprietários de imóveis abandonados, que estão servindo para abrigar menores de rua, para tentar amenizar o problema. A intenção é transformar os mocós em locais para o desenvolvimento de um projeto, com uma equipe multidisciplinar. A solução do problema, entende a secretária Marisa Goettel do Nascimento, depende da ajuda da comunidade. ‘‘Essa mesma sociedade que cobra solução não quer do lado de sua casa um projeto de atendimento à criança’’. Ela avisa: ‘‘Não vamos fazer o trabalho de carrocinha, tirando as crianças das ruas só porque incomodam a sociedade. Isso não tem resultado’’.
A secretária de Ação Social diz que nessa época de férias escolares há aumento de crianças e adolescentes nas ruas. ‘‘Há diferença entre crianças de rua e criança que está na rua’’, diz. Ela acredita que a escola é um fator que auxilia na redução de menores perambulando pela Cidade.
O número dos que vivem exclusivamente nos mocós, segundo a Ação Social, é pequeno: não ultrapassa a 15. São aqueles que não têm vínculo familiar. Mas é engrossado pela população que vem de outras cidades, pelas crianças expulsas de casa, e que acabam convivendo com adultos e prostitutas.
A secretária traça um perfil dos frequentadores dos mocós: têm entre 14 e 17 anos, foram expulsos de casa, são usuários de drogas, praticam pequenos furtos para sobreviver, saíram de famílias desestruturadas e dificilmente haverá possibilidade de retorno à convivência familiar.
Ela destaca que, para os vizinhos de locais que servem de ‘‘mocós’’, é muito melhor estabelecer um vínculo com eles e saber que estão sendo atendidos, do que tê-los nos quintais praticando furtos. ‘‘O projeto não é para colocá-los na casa e deixá-los lá dentro. Mas prevê o acompanhamento e o atendimento que necessitam’’.
Em matéria publicada domingo pela Folha, autoridades do setor de atendimento ao menor abandonado cobraram maior participação da sociedade, na busca para solução do problema. ‘‘O problema não é só da Prefeitura, do Estado ou da União mas de todos nós’’, afirmou a coordenadora do Programa de Atenção à Criança e ao Adolescente (ligado à Secretaria de Ação Social de Londrina), Sâmia Machado Mustafá. Segundo ela, os cidadãos podem participar a partir de gestos simples, como deixar de dar esmolas a crianças de rua e tentar conversar com elas, encaminhando-as aos serviços prestados pelo município.

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