Ação Social quer transformar os mocós com a ajuda da comunidade
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quarta-feira, 12 de fevereiro de 1997
Luka Morais 
A Secretaria de Ação Social de Londrina está fazendo contatos e deve iniciar nos próximos dias reuniões com vizinhos e proprietários de imóveis abandonados, que estão servindo para abrigar menores de rua, para tentar amenizar o problema. A intenção é transformar os mocós em locais para o desenvolvimento de um projeto, com uma equipe multidisciplinar. A solução do problema, entende a secretária Marisa Goettel do Nascimento, depende da ajuda da comunidade. Essa mesma sociedade que cobra solução não quer do lado de sua casa um projeto de atendimento à criança. Ela avisa: Não vamos fazer o trabalho de carrocinha, tirando as crianças das ruas só porque incomodam a sociedade. Isso não tem resultado.
A secretária de Ação Social diz que nessa época de férias escolares há aumento de crianças e adolescentes nas ruas. Há diferença entre crianças de rua e criança que está na rua, diz. Ela acredita que a escola é um fator que auxilia na redução de menores perambulando pela Cidade.
O número dos que vivem exclusivamente nos mocós, segundo a Ação Social, é pequeno: não ultrapassa a 15. São aqueles que não têm vínculo familiar. Mas é engrossado pela população que vem de outras cidades, pelas crianças expulsas de casa, e que acabam convivendo com adultos e prostitutas.
A secretária traça um perfil dos frequentadores dos mocós: têm entre 14 e 17 anos, foram expulsos de casa, são usuários de drogas, praticam pequenos furtos para sobreviver, saíram de famílias desestruturadas e dificilmente haverá possibilidade de retorno à convivência familiar.
Ela destaca que, para os vizinhos de locais que servem de mocós, é muito melhor estabelecer um vínculo com eles e saber que estão sendo atendidos, do que tê-los nos quintais praticando furtos. O projeto não é para colocá-los na casa e deixá-los lá dentro. Mas prevê o acompanhamento e o atendimento que necessitam.
Em matéria publicada domingo pela Folha, autoridades do setor de atendimento ao menor abandonado cobraram maior participação da sociedade, na busca para solução do problema. O problema não é só da Prefeitura, do Estado ou da União mas de todos nós, afirmou a coordenadora do Programa de Atenção à Criança e ao Adolescente (ligado à Secretaria de Ação Social de Londrina), Sâmia Machado Mustafá. Segundo ela, os cidadãos podem participar a partir de gestos simples, como deixar de dar esmolas a crianças de rua e tentar conversar com elas, encaminhando-as aos serviços prestados pelo município.


