Lino Ramos
De Londrina
Pelo menos seis projetos elaborados pela equipe da Secretaria de Ação Social de Londrina totalizando cerca de R$ 800 mil não foram executados em 98 e 99. Os dados contrariam balancete apresentado recentemente pela Secretaria Municipal de Fazenda justificando os gastos dos R$ 186 milhões obtidos com a venda de parte das ações da Sercomtel S.A.
O balanço apresentado pelo secretário de Fazenda do município, Jair Gravena, em 28 de janeiro, justifica a aplicação de R$ 6,6 milhões na ‘‘implementação de projetos que visem a mitigar as carências sociais associadas às políticas de geração de emprego’’. Em outro documento enviado à Câmara, o município justifica o repasse de R$ 3,3 milhões do Conselho de Gestão Fiscal (Cogefi) – órgão criado para controlar o dinheiro da venda das ações – para o Fundo Municipal de Assistência Social.
Concluídos em setembro de 98, os projetos previam a implementação da estrutura organizacional da secretaria de Ação Social, adequação da estrutura física dos núcleos de convivência da criança e adolescente, qualificação do atendimento de educação infantil, aquisição de imóvel para abrigo a crianças e adolescentes, implentação das atividades do conselho tutelar e implementação do atendimento de abordagem a meninos e meninas de rua. O trabalho foi entitulado ‘‘Projeto Otimização da Infra-Estrutura dos Serviços da Secretaria Municipal de Ação Social’’ e teria um custo aproximado de R$ 800 mil.
A Folha apresentou cópias dos projetos à secretária de Ação Social Marisa Goettel do Nascimento. Ela confirmou que não foram executados, embora houvesse a promessa do então secretário de Governo, Gino Azzolini Neto, de que haveria aprovação. ‘‘Em alguns casos pedimos a locação de imóveis, mas o secretário sugeriu a construção de novos espaços. Mas nada foi atendido com, exceção da reforma da Cidade da Criança (Supercreche)’’, justificou. De acordo com a secretária, a reforma da Supercreche custou aproximadamente R$ 100 mil e foi executada porque os pais denunciaram aos veículos de comunicação o estado em que se encontrava a unidade.
Marisa também negou que a secretaria tenha recebido 6,6 milhões do Cogefi e afirmou que em 99 o órgão gastou R$ 4 milhões ou 43% do orçamento previsto, que era de R$ 9,2 milhões. A secretária disse que os R$ 3,3 milhões repassados ao Fundo Municipal de Assistência Social, que atende 112 entidades, não vieram do Cogefi, mas do orçamento do município, formado pelos recursos da arrecadação municipal.
Procurado pela Folha, o secretário de Fazenda, Jair Gravena, disse que temporariamente vai se ‘‘abster sobre os recursos do Cogefi’’. Segundo o balancete divulgado em 28 de janeiro, a prefeitura possuía apenas R$ 4,8 milhões dos recursos da venda de ações da Sercomtel.

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