A briga judicial que pede a reconstrução da Casa do Burro Brabo ou das Francesas, que no século passado abrigou um famoso prostíbulo no bairro Bacacheri, em Curitiba, pode estar chegando ao fim. Em setembro, a juíza Josely Dittrich Ribas vai dar a sentença definitiva sobre a recuperação do imóvel, derrubado parcialmente, em 1990, pela construtora Oca Engenharia, proprietária da casa. Ontem, foi realizada a última audiência de uma ação pública contra a empresa, movida há oito anos.
O imóvel de arquitetura campeira (paredes feitas de madeira e barro) foi erguido em 1860 e tombado pelo governo estadual 130 anos depois. Inclusive, o livro de Dalton Trevisan - Em busca da Curitiba Perdida - traz um conto dedicado à casa. Atualmente, o imóvel mantém apenas as paredes internas, sem contar com telhado. ‘‘O imóvel está em franco processo de deterioração. Só não está em pior estado porque se conseguiu judicialmente a colocação de um telhado provisório’’, diz o autor da ação, João Bello.
Bello acusa a Oca Engenharia de querer destruir a casa para aproveitar o potencial construtivo do terreno. A direção da construtora foi procurada, prometendo retornar a ligação após conversar com advogados. Até o começo da noite, nenhuma resposta foi dada.
No processo contra a Oca, Bello acusa a empresa de desrespeitar a legislação municipal, ao colocar outdoor em frente à casa, sem autorização da Secretaria de Urbanismo. ‘‘A Oca é uma empresa rica, que possui dinheiro para fazer a restauração. Mesmo assim, se considera incapaz de realizar este serviço, pedindo ao governo a execução do trabalho’’, diz. Bello diz que nas primeiras audiências pedindo a recuperação da Burro Brabo, a empresa alegava que a recuperação de um ex-prostíbulo seria uma atentado à sociedade. ‘‘Por ali, passaram os nossos colonizadores e também se instalaram os primeiros franceses e ingleses da cidade. Não se pode derrubar o que resta deles’’, defende Bello. (I.R.)

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