Ação propõe embargo de pedreira
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 22 de junho de 1998
Guilherme Pupo 
Moradores do bairro Santa Felicidade, em Curitiba, devem entrar com uma ação civil pública contra a Construtora Pussoli, pedindo o fechamento da pedreira administrada pela empresa no bairro. Eles reclamam da poluição sonora e ambiental causada pelas explosões no local.
Há um mês, técnicos da Secretaria Municipal do Meio Ambiente fizeram uma vistoria na área e constataram que a pedreira está localizada na Área de Proteção Ambiental (APA) do Passaúna e que o empreendimento é de grande porte, utilizando recursos naturais não renováveis.
Também foram encontrados indícios de desmatamento irregular e uma nascente com um volume de água razoável e permanente que corta parte da área de exploração, possivelmente carregando material particulado gerado pela atividade de exploração mineral.
Apesar disso, os testes realizados para avaliar os ruídos e vibrações apontaram níveis abaixo dos limites previstos por lei.
Segundo o comerciante Elovanir Perussi, que coordena o pedido de ação civil, os moradores vizinhos já fizeram um abaixo-assinado com cerca de 3 mil assinaturas pedindo o embargo do local. Queremos o fechamento da pedreira para a construção de um parque ou área de lazer, disse.
Nesta quinta-feira, os advogados dos moradores e da empresa devem se reunir para discutir o assunto.
Segundo o promotor Saint Claire Honorato dos Santos, da Promotoria de Defesa do Meio Ambiente, o Ministério Público já recebeu diversas reclamações contra a pedreira e considera a possibilidade de entrar com uma ação civil pública. Já pedimos o embargo das atividades mas ainda não houve redução dos impactos ambientais, observou ele.
Melhorar relacionamento - Segundo o encarregado de setor da pedreira, Marcelo Pussoli, a empresa está trabalhando dentro das normas ambientais e tem licença do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para funcionamento. Os níveis de ruído gerados pela detonação de explosivos estão abaixo dos limites permitidos por lei e das normas internacionais. Não queremos incomodar ninguém e, se for possível, vamos estudar meios de redução dos ruídos para melhorar o relacionamento com os vizinhos, afirmou ele.
Sobre o fato de a pedreira estar localizada em uma área de proteção ambiental, Marcelo Pussoli alega que a empresa já está há 35 anos no local e não é coberta por área natural, não trazendo prejuízos ao meio ambiente.


