Além do processo na Vara Criminal, corre uma ação na 9ª Vara Cível de Londrina de indenização por danos morais e patrimoniais, impetrada também por Reinaldo Nascimento, pelo mesmo caso, diretamente contra o Ihel. A ação pede uma indenização de 3,6 mil salários mínimos (R$ 432 mil). Até agora, as três testemunhas de acusação - Denise de Lima, Ruy Margraff e Edson Bezerra - confirmaram em depoimento que presenciaram os constrangimentos a que Reinaldo fora submetido pelos ex-patrões, depois que se descobriu que ele era soropositivo. A próxima audiência será no dia 17 de dezembro, quando serão ouvidas as testemunhas de defesa, inclusive Jorge Tadeu. Sobre esta ação, o médico não quis fazer qualquer comentário antes da audiência de ontem.
A história de Reinaldo começou em meados de 95, quando ele se mudou de Maceió para Londrina, para morar com o companheiro. Passou então a trabalhar na Rotema Consórcio, de propriedade de William e Rosenilda Marcelino. Através da empresa, conheceu o médico Jorge Tadeu, amigo dos donos e também cliente da Rotema. Ele sugeriu a Reinaldo que fizesse uma doação de sangue. No dia 16 de maio daquele ano, fez a doação e buscou o resultado dos exames no dia 22: deu negativo no teste para HIV.
Dois dias depois, Reinaldo recebeu o resultado de outro teste de Aids, que fez em Maceió, desta vez positivo. Ele conta que, informado sobre os resultados diferentes, Jorge Tadeu chegou a dizer que nem era preciso fazer outro exame porque o instituto da capital alagoana estaria errado. Receoso, Reinaldo resolveu fazer outros exames: todos deram resultado positivo.
‘‘Aí sim ele admitiu o erro, disse que foi uma falha de digitação’’, conta Reinaldo, que diz ter procurado Jorge Tadeu novamente, informando que iria processar o médico e o Ihel pelo erro. Depois disso, afirma, Tadeu teria ligado para os donos da Rotema e contado sobre a sua condição de soropositivo. ‘‘Agora, devido ao preconceito e ao desemprego, fui obrigado a voltar para Maceió.’’
(Lúcio Horta)

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