Emerson Cervi
De Curitiba
O Sindicato dos Engenheiros do Paraná (Senge), a Associação dos Professores da Universidade Federal do Paraná (APUFPR) e a Associação Nacional de Pesquisa Ambiental (Anipa) protocolaram ontem uma ação civil pública pedindo o embargo da reforma da praça Nossa Senhora de Salete, no Centro Cívico de Curitiba. Há uma semana funcionários da Secretaria do Meio Ambiente começaram a remodelação paisagística do local. Ontem, um dos lados da praça estava cercado por grades.
As entidades asseguram que a reforma vai descaracterizar a concepção arquitetônica original da área. ‘‘Aquela praça é aberta para servir a manifestações populares, não pode ser simplesmente fechada’’, disse o diretor do Senge, Rasca Rodrigues. ‘‘Parece que os governantes acham que o patrimônio histório é responsável por manifestações populares, quando na verdade elas são uma consequência de políticas públicas mal sucedidas.’’
Como a prefeitura de Curitiba é responsável pela obra, o juiz definiu o prazo de 72 horas para que a procuradoria geral do município apresente uma justificativa para a reforma. Até o final da tarde de ontem a procuradoria não tinha sido comunicada oficialmente da ação. As mudanças na praça foram propostas depois que a polícia retirou os sem-terra que estavam acampados no local havia quase seis meses.
Ainda ontem, o Senge apresentou requerimento ao Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (Crea) para saber se o órgão foi comunicado sobre o serviço. ‘‘Queremos saber quais os profissionais que estão se responsabilizando tecnicamente pela obra.’’
As entidades querem informações sobre custos totais e se existe um processo de licitação para a obra. A assessoria da Secretaria do Meio Ambiente informou que o projeto final ainda não foi concluído. Aquele apresentado no final de novembro está sofrendo modificações. Por isso não há uma previsão de custos, prazos e processo de licitação. O projeto inicial, prevendo construção de estacionamento e canchas de esportes, chegou a ser divulgado pela Internet.
Outro argumento contra a remodelação da praça é a impermeabilização do solo. Pela proposta inicial, seriam construídas oito canchas poliesportivas onde hoje há um gramado. ‘‘Isso vai impermeabilizar a área e o escoamento das águas das chuvas será direto no Rio Belém, causando mais enchentes no centro da cidade’’, lembrou Rodrigues. A praça Nossa Senhora de Salete foi inaugurada em 1953, durante as comemorações do centenário de emancipação política do Estado. Sua concepção de espaço público aberto entre prédios dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário serviu de exemplo para a praça dos Três Poderes, em Brasília.Engenheiros, professores e ambientalistas entraram com ação civil pública contra as obras na Nossa Senhora de Salete
José SuassunaEM CIMA DO MUROA prefeitura já tirou árvores e está cercando toda a praça, mas afirma que o projeto definitivo ainda não está concluído

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