Ação pede desativação de lixão
Luciane Tonon
Enviada a Congonhinhas
Moradores do Bairro do Areião, em Congonhinhas (55 km ao sul de Cornélio Procópio), estão revoltados com lixão a céu aberto, às margens da estrada secundária que liga a cidade ao distrito de São Francisco do Imbaú. O lixo também está prejudicando a cabeceira do Ribeirão Parada, que fornece água para criadores de gado e abastece represas de propriedades rurais. A Associação de Defesa Ambiental de Maringá, uma organização não-governamental com sede em Maringá, entrou com uma ação civil pública para a resolução do caso.
É uma lástima ver esse ribeirão sendo poluído pelo lixo. No verão, muita gente, principalmente crianças, toma banho nas represas formadas por ele, disse a dona de casa Aparecida Rocha Rafael, 32 anos. Segundo ela, são frequentes as doenças de pele na vizinhança.
O lixão está a 30 metros da cabeceira do Ribeirão Parada, que deságua no Rio Laranjinhas, a 9 quilômetros de distância. Não adianta só parar de jogar lixo aqui. Reivindicamos que este lixo seja removido. Além da água poluída, enfrentamos problemas com moscas e mau cheiro, comentou o trabalhador rural João da Rocha, 37 anos. O problema se arrasta desde 1985, mas segundo os moradores, se agravou de 1996 pra cá.
Estamos pedindo a interrupção do despejo, a retirada do lixo, a recomposição e reflorestamento da área, disse o advogado Carlos Pereira, contratado pela associação. Segundo ele, a ação abrange ainda a exploração ilegal de areia pela prefeitura na mesma área do lixão (Sítio 3 irmãos).
Questionamos a insensibilidade do poder público. A área foi interditada pelo Instituto Ambiental do Paraná em 98, afirmou. Pereira disse que até a próxima semana entrará com pedido de liminar para a proibição imediata do descarregamento de lixo no local.
O prefeito de Congonhinhas, José Olegário Ribeiro Lopes (PFL), informou que a prefeitura já adquiriu um novo terreno e o projeto do aterro sanitário está em fase de licitação para a sua implantação. A prefeitura vai entrar com uma contrapartida de 20% e o restante será financiado pela Caixa Econômica Federal, através da Suderhsa.
Segundo o prefeito, dentro de no máximo seis meses a situação vai ser resolvida. Lopes informou ainda que pretende reabrir a exploração de areia na área, mas dentro dos parâmetros exigidos pela lei ambiental. Ele acredita que esta movimentação seja pressão de interesses pessoais.
Técnicos do IAP de Cornélio Procópio informaram que a interdição não foi por causa do lixo e sim pela extração de areia. O IAP está aguardando o andamento da licitação junto à Superintendência de Desenvolvimento de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa) para a execução do aterro sanitário. A prefeitura tem mostrado interesse, inclusive de reflorestar a área. O problema é que se interditarmos agora, o lixo terá que ser jogado em outro local provisório, gerando outros transtornos, esclareceu o técnico do IAP, José de Paula Braiano.





