O advogado da Igreja Só o Senhor é Deus, Oliveira Martins dos Reis, disse ontem que acredita que a 6 Câmara do Tribunal de Justiça revogue o despacho favorável ao missionário Miranda Leal, antigo líder da denominação, obtido na Justiça de Maringá.

Reis ingressou ontem no TJ com ação para derrubar a liminar. ''Temos provas suficientes que a rádio era da igreja. Anexamos no processo recibos dos fiéis contribuindo com a emissora e declarações dos antigos gestores de que a rádio era da igreja'', alegou.

Ainda que esteja convencido de que a rádio voltará à administração da igreja, o advogado teme depredações e saques na emissora. ''Enquanto eles estavam fora, agiram o tempo todo para nos prejudicar. Imagine agora que estão lá'', previu, referindo-se a uma série de atentados contra os transmissores da emissora e outros fatos nebulosos que estão investigados pela polícia.

O advogado teme ainda que Miranda Leal tenha se desfeito de seu patrimônio imediatamente após o despacho que também cancela o sequestro de bens do líder religioso, avaliados em aproximadamente R$ 1 milhão. Na lista dos bens, estão dois apartamentos no Rio de Janeiro um deles no valor de R$ 750 mil e um carro de luxo.

A emissora saiu do ar às 10 horas da manhã e até o fechamento da edição continuava sem transmitir a programação, baseada em espaços para 30 pastores de várias denominações. ''Ele deve rescindir o contrato de todos eles'', acredita o pastor Elias Marciano, diretor da emissora.

O pastor lamentou a decisão do juiz de Maringá que concedeu a liminar. ''Respeitamos a decisão, mas não entendemos o que levou este juiz a fazer isto'', afirma.

Marciano acusa Miranda Leal de não receber a documentação da rádio e ter arrombado a porta da emissora na tarde de ontem. ''Esperei por ele o dia todo ontem (anteontem) e hoje (ontem) tive que trancar a rádio e dispensar os funcionários. Só depois disso ele apareceu e entrou de forma violenta na emissora. Estamos estudando uma ação de perdas e danos'', acusou.

A versão do advogado do missionário Miranda Leal, Evandro de Andrade Rodrigues, é diferente. Ele disse que teve autorização judicial para abrir as portas da emissora e que os oficiais estavam vasculhando as instalações da rádio em busca da documentação. Ele não soube dizer quando a emissora volta a transmitir.

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