O advogado Nilson Grigolli Júnior protocolou esta semana duas ações no Tribunal de Justiça do Paraná, em Curitiba, pedindo a intervenção no Estado e a prisão do secretário de Segurança Pública, Cândido Martins de Oliveira e do comando do 11º Batalhão da Polícia Militar com sede em Campo Mourão. As ações, movidas em nome do fazendeiro José Teixeira, são pelo não-cumprimento judicial da liminar de reintegração de posse das fazendas São Luiz, São João e Nossa Senhora Aparecida, em Mariluz (35 km a sudeste de Umuarama), invadida no dia 1º de março de 98 por integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Segundo Grigolli Júnior, a medida foi tomada pela inércia das autoridades estaduais em cumprir determinações judiciais. ‘‘Desde a invasão foram expedidos três mandados de reintegração de posse, sendo que os dois últimos com a advertência ‘sob pena de desobediência’. Porém, nada foi realizado’’, comentou. O advogado disse que o governo justifica que a desocupação da área depende de autorização do Secretário de Segurança Pública, que por sua vez está na dependência da autorização do governador Jaime Lerner.
‘‘O governador está afrontando a Justiça paranaense e com isso denigre o Estado do Paraná. Por isso solicitei a intervenção e a prisão do secretário e comando a PM’’, justificou.
Na semana passada um funcionário da Fazenda São João registrou queixa na delegacia de Mariluz, acusando os sem-terra de terem invadido a sede da propriedade, mexendo nos pertences das casas dos funcionários e se apropriando de tratores. No boletim de ocorrência o funcionário informou que os sem-terra estavam atrás de armas.
Grigolli Júnior disse ainda que um dos empregados da fazenda conseguiu fugir da área para repassar a informação por telefone. Na queixa garante que os sem-terra mantêm os empregados da fazenda em cárcere privado. ‘‘Eles foram proibidos de sair da fazenda, realizar suas funções rotineiras ou mesmo fazer compras ou ir ao médico’’, destaca. O advogado afirmou que cerca de 10 policiais militares foram até a fazenda, mas que nada fizeram.

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