Ação louca e engenhosa para separar uma cidade
Barbel acredita que a escassez crescente e tantos outros problemas fizeram com que a insatisfação coletiva transformasse o lado Oriental numa verdadeira panela de pressão. ''A gente sabia que algo iria acontecer'', revela. E aconteceu. ''Nunca vou esquecer a manhã do domingo, 13 de agosto de 1961. Recebi a notícia pelo rádio de que naquela madrugada, por determinação dos soviéticos, soldados da República Democrática Alemã dividiram, utilizando arame farpado, Berlim em duas cidades. Foi inacreditável! A gente sempre temia acordar com um soldado russo na porta de casa, mas separar Berlim daquela forma tão brutal, só mesmo aquelas mentes loucas e doentias poderiam planejar algo assim'', emociona-se Johannes.
Ele acrescenta: ''O arame farpado foi apenas o início. Em seguida vieram os blocos de concreto. Redes metálicas eletrificadas com alarme, torres de observação, tanques e soldados armados, pistas para cães ferozes, chapas de concreto, terreno preparado para identificar qualquer marca. Ação louca e engenhosa apenas para separar uma cidade''.
Depois do muro, Barbel conta que a vida deles nunca mais foi a mesma. Ficaram anos sem poder ver os familiares e amigos. Muito tempo depois trocaram seus passaportes e, uma vez por ano, tinham permissão para cruzar a fronteira por um dia.
Assim como a construção do Muro de Berlim foi uma grande surpresa, a queda, 28 anos depois, no dia 9 de novembro de 1989, também foi impactante. ''Para nós esse muro ainda permaneceria por muitos e muitos anos. Seria algo para os nossos netos. Mas, felizmente essa vergonhosa barreira foi retirada de nossa cidade'', diz Johannes.
Barbel diz que a integração não tem sido tão fácil como se esperava. ''Todos ansiavam pela queda do muro, mas foi o reencontro de duas realidades completamente diferentes. O mundo das pessoas dominadas e controladas pelo Estado não existe mais. Muitos ainda estranham essa grande mudança.''
Para ela, nada disso irá tirar o brilho da comemoração dos 20 anos da queda do Muro de Berlim. Barbel quer participar de todos os eventos programados, os quais começam bem antes da data oficial de 9 de novembro. Johannes, mesmo entendendo ser esses 20 anos uma data histórica, diz que será mais discreto. ''Ainda tenho certo receio de comemorações com grandes multidões'', justifica.
Sobre o Norte do Paraná, ficaram impressionados com os grandes espaços nas cidades. ''Moramos numa grande cidade onde todos os espaços são pequenos, apertados'', disse Barbel. (E.A.)





