Ação integrada 'varre' noite de Londrina
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domingo, 01 de julho de 2007
Luciano Augusto<br>Reportagem Local 
Uma mesma noite, realidades sociais distintas e situações semelhantes. Foi este o cenário encontrado pela ação integrada de fiscalização urbana que percorreu lanchonetes, bares e boates dos quatro cantos de Londrina durante o final de semana.
Orientados por um mapeamento dos locais com maior registro de ocorrências na cidade, a força-tarefa incluiu as polícias Militar, Civil e Ambiental, Corpo de Bombeiros, Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Vara da Infância e Juventude, Conselho Tutelar, Vigilância Sanitária e Secretaria Municipal de Fazenda. O resultado do trabalho será divulgado hoje.
A FOLHA acompanhou o primeiro dia de operação, que começou às 21 horas de sexta-feira e se estendeu até às 4 da manhã de sábado, com ações concentradas na Zona Sul e na Área Central. No segundo dia de fiscalização, a força-tarefa também percorreu parte do Centro e da Zona Norte.
Na sexta-feira, o comboio partiu da Promotoria de Investigações Criminais (PIC) e a primeira parada foi na rua Vitória Régia, no Parque Ouro Branco. Já no primeiro estabelecimento, uma sorveteria que funcionava como bar, foram encontradas irregularidades fiscais (não possuía alvará), sanitárias (funcionava sem licença), jurídicas (havia adolescentes dentro do bar), além de falhas na segurança dos clientes. Os menores de idade foram liberados após identificação e contato com os responsáveis.
O dono alegou que não havia conseguido o alvará porque o prédio era misto (comercial e residencial) e, portanto, ele também não tinha a licença da Vigilância. O bar foi fechado. A sorveteria em frente também não dispunha de licença sanitária. No terceiro estabelecimento, uma máquina caça-níquel em funcionamento foi apreendida. Um Fiat Tipo com suspensão rebaixada que passou pela rua também ficou retido.
A segunda blitz foi feita no Jardim União da Vitória. Já se aproximava da meia-noite quando o comboio chegou a dois bares na Rua dos Comerciantes. Um deles funcionava como boate e a medição do volume do som feita pelos fiscais do IAP bateu na casa dos 107,9 decibéis, quase o dobro do limite permitido para o horário. A aparelhagem foi apreendida e tanto o proprietário, que admitiu não ter autorização para funcionar daquela forma, quanto o DJ foram encaminhados para a Delegacia Central. Uma porção de maconha foi achada no chão. Dois veículos abandonados na rua foram guinchados. Mais de 60 adolescentes (a maioria sem documentos pessoais) foram revistados. A polícia flagrou inclusive um garoto de apenas 11 anos desacompanhado.
''Só vim dançar só. Minha mãe deixou'', disse o menino, sem entender o que acontecia. Os jovens só foram liberados com a chegada dos pais ou responsáveis, que deverão comparecer no Conselho Tutelar. O ponto positivo é que nenhum adolescente consumia bebida alcoólica. Outros dois bares foram visitados na sequência e também foram fechados por causa de irregularidades.
Da periferia, a ação se dirigiu para um bar e um posto de combustíveis entre a Avenida Higienópolis e a Rua Montese, frequentado por jovens de classe média. Assim como antes, dezenas foram revistados e os menores de 18 anos, a maioria também sem identidade, foram encaminhados para casa. ''É constrangedor. Nunca vi tanto policial'', reclamou um jovem visivelmente embriagado. O posto estava sem a licença sanitária.
Dali, o grupo partiu para outro estabelecimento na Rua Paranaguá, onde os policiais perceberam que adolescentes estariam traficando drogas. Na abordagem, porém, foi encontrada apenas uma pequena porção de maconha com um garoto de 13 anos.
Pouco antes das 3 horas, os integrantes da operação chegaram a um bar e boate na Avenida Prefeito Faria Lima, que estava sem o alvará definitivo (o processo corre na Prefeitura) e com problemas de ''vazamento'' de som.
O estabelecimento, um dos preferidos da juventude classe média e média alta, foi o único onde não haviam adolescentes. O comboio retornou para a PIC, onde discutiriam os resultados do primeiro dia de trabalho.
No sábado, dos 11 estabelecimentos fiscalizados, sete foram fechados. Segundo o tenente Guido Benjamin dos Santos Filho, coordenador da operação em Londrina, uma arma foi apreendida, um menor alcoolizado foi detido, um estabelecimento foi autuado por prática de bingo, além de várias retenções de som feitas pelos fiscais do IAP. Conforme o tenente, as ações continuariam durante toda a noite de ontem, dessa vez, por toda a cidade. (Colaborou Mariana Guerin)


