Os representantes das polícias e órgãos de segurança envolvidos no assalto seguido de sequestro ocorrido em Foz do Iguaçu apresentaram ontem duas versões –contraditórias– para tentar justificar o resutado da operação. Eles afirmam que a estratégia adotada foi correta, embora o crime tenha deixado um cirurgião dentista gravemente ferido com um tiro na cabeça e um assaltante morto. A secretária do dentista foi socorrida sem ferimentos.
A primeira versão apontava que o assaltante, Luciano Santos Dutra, 22 anos, atirou primeiro na cabeça do endodontista Marcelo Cardoso Leite, 31, com um revólver calibre 38. O disparo teria ocorrido de cima para baixo, atingindo o crânio do refém, que estava sentado no chão, com a cabeça entre as pernas do sequestrador, segundo a polícia.
Em seguida, Dutra teria cometido suicídio, atirando contra a cabeça, na região pélvica esquerda. Em coletiva realizada pela manhã, o perito que analisou o local, José Carlos Reami, do Instituto de Criminalística, considerou ‘‘como muito rara’’ a suposta forma de suicídio.
Segundo o delegado chefe da 6ª Subdivisão Policial (SDP), Luis Gilmar da Silva, somente após os dois tiros, dois policiais civis teriam entrado na sala de atendimento, efetuando dois disparos (um de revólver calibre 38 e outro de pistola calibre 40). A versão deixava dúvidas sobre o destino dos projéteis disparados pelos policiais e também a forma misteriosa de suicídio. A polícia negava a hipótese de terem ocorrido outros disparos, tampouco a invasão de um investigador no ambiente antes do assaltante balear o dentista.
Em nova coletiva, desta vez à tarde, o médico legista Mauro Motta Martins, do Instituto Médico Legal (IML), disse ter descoberto, durante a necrópsia a existência de um quinto tiro. O projétil teria entrado pela boca de Luciano Dutra e se alojado no crânio, caracterizando o suicídio. Diante dessa informação, a polícia assumiu a autoria do outro disparo que atingiu a cabeça do sequestrador, cuja autoria até então era negada.
Apesar do delegado acreditar na segunda versão, somente o laudo da Crimilística vai indicar a ordem do tiroteio e os autores. O resultado deve ser divulgado em 30 dias. O secretário de Estado da Segurança, José Tavares, disse ontem ser difícil avaliar o desfecho da operação. ‘‘Era uma operação de risco’’, declarou. Para Tavares, não houve despreparo da polícia.
O dentista Marcelo Cardoso leite, 31 anos, continua internado em estado grave no Hospital Santa Casa Monsenhor Guilherme. Até as 19 horas de ontem ele estava em coma induzido e respirando por aparelhos. Durante à tarde, uma equipe médica realizou uma operação e retiraram fragmentos da bala, que continua alojada no crânio de Marcelo.

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