Paulo WolfgangNelson dos Santos:
‘Nova lei prevê
multas de até
R$ 50 milhões’O chefe regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Nelson dos Santos Pereira, não tem dúvida: a quadrilha que atuou na Fazenda Remansinho é profissional. O instituto já recebeu várias reclamações de outros proprietários e administradores de remanescentes de matas e vem tentando investigar o caso. Pereira argumenta, no entanto, que não é fácil localizá-los. ‘‘Nossos fiscais já chegaram a permanecer 30 dias de campana numa área, mas nesse período ninguém apareceu. É difícil, mas não será impossível.’’
Pereira rebate a crítica de que os fiscais do IAP não teriam agido prontamente ao ver homens saindo da mata do Remansinho. Segundo ele, cerca de oito homens foram realmente vistos pelos fiscais, mas eles estavam descansando embaixo de uma árvore, o que não é motivo para prisão.
O chefe do IAP calcula que a quadrilha tenha começado a agir na região há alguns anos, vendendo palmito para restaurantes. ‘‘Inclusive, há cerca de dois anos, algumas pessoas foram presas mas como não havia a lei ambiental e a legislação não era tão rigorosa, eles foram liberados. Depois disso, houve uma profissionalização na forma de atuação desse pessoal.
O IAP tem informações de que a quadrilha possui até olheiros, que se embrenham nas matas, para encontrar palmitos nativos. O transporte da colheita irregular é feito sempre à noite. Ele evita dar detalhes das investigações para desmantelar a quadrilha e reforça que o instituto continua recebendo as denúncias.
Segundo ele, há poucos remanescentes de matas da região mas em todas elas há palmito. Pereira alerta ainda que a utilização de recursos naturais sem a devida regulamentação, hoje, é crime. E não é passível de punição apenas quem for pego em flagrante retirando os produtos. Quem for flagrado comprando palmito retirado irregularmente é enquadrado como receptador e pode ser condenado a reclusão de um a cinco anos, além de multa a ser fixada pela Justiça.
Outra orientação de Pereira é para que os compradores observem se há carimbo do Ibama no rótulo dos vidros e latas de palmito. Caso não haja, o produto é de origem duvidosa. ‘‘O carimbo é importante inclusive devido ao aspecto de sanidade. Produtos sem o registro podem estar contaminados’’.
A Polícia Florestal também está atenta aos casos de roubo que vêm ocorrendo na região. Segundo informações do sargento Sérgio Albino do Prado, a situação é preocupante e os policiais têm feito vários cercos, na tentativa de prender os membros da quadrilha. ‘‘Mas eles têm mais recursos que nós. Para se ter uma idéia, um dos últimos palmiteiros (pessoas que roubam palmito) presos na região usava telefone celular. Eles ficam a cavalo, vigiando a área, e quem está dentro da mata também tem celular. Quando a polícia chega, eles se comunicam e não conseguimos pegá-los’’, exemplifica.
Ele acrescenta que vem gente de outras regiões do Estado para agir nos remanescentes de matas de Londrina. Sargento Albino aponta ainda outro fato que facilita a ação dos palmiteiros. ‘‘A detenção é de seis meses a um ano para quem estiver retirando o produto e o valor da multa é de 27,51 Ufirs (o que equivale a cerca de R$ 26,43). A nova Lei Ambiental em vigor prevê multas de até R$ 50 milhões, mas este item ainda não está regulamentado e pune mais que está comprando do que quem está retirando o produto ilegalmente.’’
Além da Fazenda Remansinho, IAP e Polícia Florestal informam que também a mata Ivo Leão, na região do distrito de Paiquerê (zona sul), é bastante visada pelos ladrões. (B.B.)

mockup