Ação do homem foi radical
A ação do homem branco sobre a Bacia do Rio Tibagi, apontam os registros históricos, tem início no século 17, com as primeiras missões jesuíticas e a consequente chegada dos bandeirantes, que vieram para aprisionar índios, expandir as fronteiras portuguesas e procurar ouro. Mesmo com essa intervenção, a bacia conseguiu se manter sem grandes modificações até o início do século 18, quando a abertura do caminho da Mata, entre os Campos Gerais e o estado de São Paulo, deu origem a cidades como Palmeira e Ponta Grossa.
A colonização na bacia é esmiuçada no livro ''A Bacia do Rio Tibagi'' (2002) pelos professores Francisco Striquer Soares e Moacyr Medri, do Departamento de Biologia Animal e Vegetal da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Através da história da interferência humana na bacia, os pesquisadores buscam resgatar como ela chegou ao estado atual, tomada por pequenas e grandes propriedades rurais e apresentando apenas 3,8% de sua cobertura vegetal original.
De acordo com os estudiosos, até o final do século 18 toda a região dos Campos Gerais estava ocupada. Em 1853, municípios que compõem a bacia já tinham uma população considerável: Castro era a maior, com 5.899 habitantes; Ponta Grossa tinha 3.033 habitantes; Palmeira, 1818 habitantes e, Tibagi, 1040. Durante anos, o desmatamento da região ficou restrito ao caminho dos tropeiros e à agricultura de subsistência praticada em colônias isoladas.
A mais severa e rápida alteração na Bacia do Rio Tibagi viria no século seguinte, com o gigantesco empreendimento imobiliário inglês no Paraná, que deu origem a Londrina e outros municípios menores. De acordo com os professores da UEL, na década de 30 a cobertura vegetal do Baixo Tibagi já havia se perdido quase totalmente. Nos anos 70, com a chamada ''Revolução Verde'', áreas da bacia antes abandonadas devido à topografia também foram invadidas com as novas técnicas agrícolas.
''O aumento da população da bacia tem provocado o crescimento da agricultura, da pecuária e da indústria, resultando em degradação do ambiente. Se medidas de manejo e conservação não forem urgentemente implantadas, haverá ainda mais redução na biodioversidade'', alertam os biólogos. (V.N.)





