Ação de marginais interrompe projeto
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terça-feira, 22 de abril de 1997
Luka Morais 
Dorico da SilvaMuita faltaOsvaldo e Francisca, 14 filhos: agora, bicos para sobreviverA interrupção do trabalho que garantia o sustento de 20 famílias do conjunto Novo Amparo (zona leste de Londrina) - há dois anos elas produziam e comercializavam materiais de limpeza -, levou a coordenadora do projeto Dinamização do Trabalho Comunitário, professora Ligia Maria Mazzeo, a fazer um apelo à população:
Precisamos de ajuda para retomar o projeto que resgata a dignidade do cidadão enquanto trabalhador.
A atividade, que beneficiava indiretamente cerca de 100 pessoas, foi interrompida no mês passado, depois que foi arrombada a casa onde estava armazenada a matéria-prima e eram preparados os produtos.
Além do estoque, foram roubados equipamentos essenciais para a produção de detergente líquido, limpa-vidro, água sanitária e amaciante. Os ladrões também danificaram as instalações elétricas da casa, doada pelo governo do Estado aos moradores do bairro.
Preocupada com a situação das famílias - que, sem o trabalho cooperativo, passam dificuldades e tentam fazer bicos para se manter -, a professora destaca que o projeto tem tudo para dar certo. Caso consiga o apoio necessário, diz ela, a produção poderá ser ampliada, passando da média de 4 mil para 40 mil unidades por mês.
Segundo a coordenadora, além do custo 20% abaixo do valor praticado pelo mercado, os produtos passam por testes nos laboratórios da Universidade Estadual de Londrina. Isso é muito importante porque são produtos sensíveis a bactérias e que poderiam colocar em risco a saúde das pessoas.
Ligia Mazzeo diz que não é difícil verificar a olho nu a presença de bactérias em detergentes nas prateleiras dos supermercados. Eles acabam contaminando as pessoas e alimentos, alerta a professora.
O projeto desenvolvido no Novo Amparo tem a participação de três departamentos da UEL: Economia, Química e Sociologia. Também é campo de estágio em outras áreas. Para ler as fórmulas de preparo dos produtos, muitos trabalhadores tiveram antes que ser alfabetizados. Além disso, receberam treinamento para qualificação da mão-de-obra e cursos sobre o trabalho cooperativo e grupo de produção, que resultaram na formação do Prana (Produtores Associados do Novo Amparo).
A atividade vinha dando bons resultados, com a venda dos produtos para a Universidade de Londrina, sindicatos e escolas, além da entrega domiciliar de kits. Os cooperados destinavam uma semana no mês para produção e as demais para a venda. Tinham ainda a colaboração do Hospital Universitário, que fazia a doação mensal de 800 embalagens de álcool, reaproveitadas para o armazenamento de água sanitária. São produtos com boa aceitação, diz a coordenadora do projeto.
Para retomar o processo produtivo, Ligia Mazzeo diz que é necessária a reforma da casa, danificada por marginais. Com pouco mais de 20 metros quadrados, o imóvel era inadequado para a atividade. O reitor da UEL vai ceder os projetos de arquitetura e engenharia e mão-de-obra para a execução, revela a professora.
Faltam os materiais de construção para a ampliação e reforma do imóvel e equipamentos. O local precisa ter paredes com azulejos para evitar a contaminação dos produtos, balcões, além de grades para evitar arrombamentos. Os interessados em colaborar podem entrar em contato pelo fone (043) 371-4362.


