Há uma semana, a Polícia Federal (PF) em Londrina anunciou ter desarticulado a principal organização criminosa que produzia e distribuía CDs e DVDs piratas na cidade. A ''Operação Capitão Gancho'' foi resultado de seis meses de investigações. O grupo, que segundo a PF seria comandado por Josuel Pereira da Silva, o ''Gaúcho'', tinha capacidade para produzir simultaneamente cerca de 100 cópias falsas de desenhos, filmes e músicas. Mas a julgar pelo movimento dos ambulantes, o golpe contra a pirataria não trouxe nenhum reflexo nas ruas.
Somente no Calçadão, principal ponto de venda de CDs e DVDs piratas, a reportagem da FOLHA contou 33 ambulantes comercializando cópias ilegais no início da tarde de ontem. Com tanto vendedor em ação, ganha mais quem consegue gritar mais alto, já que todos eles têm a mesma ''carteira de produtos''. A operação da PF também não refletiu no preço das fitas, que continuam sendo comercializadas por R$ 4,00 (valor unitário) ou R$ 10,00 (três fitas). Tudo isso, sem serem incomodados pelos fiscais da Prefeitura.
Os ambulantes não deram nenhuma importância à ação dos federais. Informalmente, alguns deles disseram que a apreensão dos mais de 50 mil CDs e DVDs piratas que estavam em poder de ''Gaúcho'' não foram suficientes para inflacionar o preço para revenda. ''Isso aqui não vai acabar nunca. Enquanto tiver quem compre vai ter alguém vendendo'', sentenciou um ambulante.
Rogério Gonsales, administrador do Shopping Popular (o mais movimentado camelódromo de Londrina e onde ''Gaúcho'' possui quatro boxes que foram lacrados pela PF), lavou as mãos: ''Sou responsável pela parte administrativa e cada um que tem loja é responsável pelos seus atos. Os contratos são individuais'', observou.
O delegado-chefe da PF em Londrina, Kandi Takahashi, disse não ter dúvidas de que ''Gaúcho'' liderava o maior grupo que agia no ramo de CDs e DVDs piratas na cidade mas comentou que a ação ''vai demorar um pouco para surtir efeito'', até porque existem outras quadrilhas em ação na região. O delegado detalhou ainda que Silva já tinha desovado grande parte das cópias que fazia.
Takahashi afirmou que não foi concluído o levantamento sobre a movimentação financeira da organização mas lembrou que muitos bens imóveis foram colocados à disposição da Justiça, além de diversos veículos, alguns deles modelos importados de luxo. Na 'fábrica' descoberta pela Polícia na Zona Oeste haviam quase 100 equipamentos para gravação de CDs e DVDs. Doze máquinas tinham capacidade para reproduzir até nove cópias simultâneas, em menos de cinco minutos.
Todos os acusados presos no dia 13 foram liberados no início da semana. Além de ''Gaúcho'', tinham sido detidos o policial militar do Corpo de Bombeiros de Londrina, Amarildo Mendes Alves, e Valdir de Oliveira.
O presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Mauro Yamamoto, negou que a fiscalização seja ineficiente no Calçadão e destacou que estão sendo feitas duas operações diárias na região desde a semana passada. Em um único dia foram apreendidos cerca de 600 CDs e DVDs. Ele concordou que as ações policiais contra ''a fonte da pirataria'', incluindo duas feitas pela Polícia Civil, ainda não tiveram reflexos mas precisam continuar.

mockup