Londrina - O movimento "Amanhecer contra a redução", promovido por meio das redes sociais, mobilizou centenas de pessoas em todo o País durante a madrugada de ontem. A intenção era decorar praças e espaços públicos com faixas e cartazes contrários à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 171 que reduz maioridade penal de 18 para 16 anos. A proposta tramita na Câmara dos Deputados.
Mais de 300 locais em todo o País foram cadastrados no site do grupo (http://amanhecer.strikingly.com). Em Londrina, aproximadamente 20 pessoas participam da Frente Londrinense Contra a Redução da Maioridade Penal. A Concha Acústica, na área central, foi um dos locais escolhidos para a colocação de faixas e cartazes que reforçaram o posicionamento contrário à redução da maioridade penal.
Para a pedagoga do Centro de Socioeducação de Londrina (Cense) 2, Glória Cardozo, é preciso conscientizar e qualificar o debate sobre o tema. "As pessoas usam muito a emoção para opinar sobre o assunto. Na prática, já existe a responsabilização do adolescente. Ele pode ser privado de liberdade. No entanto, há essa percepção de que se o adolescente for para a cadeia se reduziria o número de atos infracionais. Se isso funcionasse, não haveria sistema carcerário tão superlotado. Nem os adultos se refreiam em função disso. Nós temos um país que investe mais no sistema carcerário do que em educação e cultura", argumentou. Glória atua há nove anos na unidade, que abriga adolescentes infratores.
A mobilização nacional, segundo ela, foi uma iniciativa de movimentos sociais do Rio de Janeiro, inspirado em um movimento uruguaio contrário à redução da maioridade penal. "Ocupar a Concha [Acústica], para nós, tem um sentido muito significativo porque meninos e meninas têm utilizado esse espaço para ações culturais e já houve abordagens policiais durante essas ações, em que alguns adolescentes foram presos", explicou Glória. Uma praça do Conjunto Lindoia, na zona leste, também foi escolhida pelos manifestantes e recebeu cartazes no início da manhã.
A Pastoral da Juventude, Pastoral Carcerária, pesquisadores das universidades de Londrina e militantes da área da infância e juventude participam do fórum local. O assistente social Eliezer Rodrigues dos Santos, que trabalha há três anos no Centro de Referência Especializado de Assistência Social (Creas) 2, acredita que a redução da maioridade penal pode causar mais violência. "Quando você prende uma pessoa, isso é uma forma de violência. A proposta de redução não tem uma proposta educativa. É a punição pela punição e prender as pessoas não resolve", comentou. Para ele, as carências dos adolescentes infratores são fruto da falta de oportunidades. "Eles não conseguem se manter na escola, a gente não tem nenhum outro tipo de educação para oferecer a esses adolescentes, não há uma oferta de profissionalização ou uma política de esporte, cultura e lazer. Não há opções. Há muita falta de interesse em se investir nesses setores", relatou.
O grupo faz hoje uma vigília no Calçadão, em frente ao Banco do Brasil. No final da tarde, os manifestantes seguem em passeata até a Concha Acústica. Outras atividades estão programadas para maio.

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