Ação contra estudantes causa protesto
Marcos Zanatta
De Maringá
Estudantes e donas de casa de Sarandi (7 km a leste de Maringá) protestaram ontem, em frente ao Fórum da cidade, contra a abertura de processos criminais contra Cleiton Damasceno do Carmo e Aparecido Biancho. Os dois prestaram depoimento no Fórum e são acusados de constrangimento ilegal qualificado, por terem participado da organização das manifestações contra o projeto de privatização do sistema de água de Sarandi, que é administrado pela prefeitura. Os estudantes e as donas de casa pediram o arquivamento do processo.
A advogada dos dois estudantes, Teresa Cofré, disse que ontem haveria apenas um interrogatório. Teresa disse ainda que os dois são acusados injustamente de terem promovido perturbação pública para incitar os estudantes a aderirem ao movimento contra a privatização. O que eles fizeram foi apenas manifestar a vontade da população, sem tumulto nenhum, afirma.
O protesto, com estudantes e donas de casa cercando a Câmara e impedindo a votação do projeto, aconteceu nos dias 1º e 8 de março de 98. O projeto foi inicialmente aprovado, mas em março passado, cerca de 5 mil pessoas pressionaram a Câmara, que acabou rejeitando a privatização. Como na votação vitoriosa para o prefeito o projeto passou com maioria absoluta, ele não considerou a derrota no início do ano e manteve o processo de privatização da água. Nenhuma empresa inscrita foi aprovada e o prefeito decidiu cancelar a repasse do sistema para a iniciativa privada. Bifon alega que são necessários R$ 5 milhões para adequar o sistema de abastecimento, que está sucateado.
Os estudantes agora organizam um arrastão para colher assinaturas, que devem ser entregues ao próprio prefeito. Já coletamos mais de 500 assinaturas apenas no final de semana e queremos correr todos os bairros da cidade em busca de apoio, revelou Santos. Ele explicou que apesar de vários líderes estudantis terem participado dos protestos contra o projeto do prefeito, Carmo e Bianco foram os que mais se mobilizaram.
Carmo, que é estudante de economia da Universidade Estadual de Maringá, e Bianco, diretor da União Paranaense dos Estudantes Secundaristas, se dizem vitoriosos depois que o prefeito Julio Bifon desistiu da privatização do sistema de água. Os dois adiantaram ontem que iriam repetir o mesmo depoimento já prestado à polícia. A maior parte da população era contra a privatização e a gente apenas apoiou o povo, disse Carmo.





